Como o Dia da Independência apagou a memória da luta negra por independência e abolição
Antes de o 7 de Setembro de 1822 entrar para a história oficial, outra articulação popular já pedia a independência do Brasil com bandeiras que incluíam o regime republicano e o fim da escravidão. Liderada por negros, a Conjuração Baiana — também chamada de Revolta dos Alfaiates ou Revolta dos Búzios — começou em agosto de 1798, quando dom Pedro 1º ainda nem havia nascido, e terminou com a execução pública de seus quatro principais líderes em novembro de 1799.
Historiadores ouvidos pela BBC News Brasil afirmam que a historiografia oficial ofuscou a participação negra em episódios como esse. A pesquisadora Ynaê Lopes dos Santos, da Universidade Federal Fluminense, destaca que a Conjuração Baiana foi o movimento pré-independência com maior participação efetiva da população negra, livre e escravizada, e o único que pensava a independência de forma correlata à abolição. Especialistas apontam que o apagamento dessas lutas é reflexo de um racismo estrutural que remonta à escravidão, quando a história e a cultura da população negra eram desconsideradas.
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