Crise do STF embala 7 de setembro e vira trunfo para Flávio Bolsonaro tentar recuperar força eleitoral
Flávio Bolsonaro aposta em ato de 7 de Setembro para capitalizar crise do STF e reequilibrar disputa com Lula
O desgaste do Supremo Tribunal Federal (STF) após a divulgação de mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes virou o principal trunfo da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) para mobilizar a base bolsonarista no ato desta segunda-feira (7) na Avenida Paulista. O candidato do PL e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparecem empatados nas simulações de segundo turno, com 44% das intenções de voto cada, segundo pesquisas compiladas até 3 de setembro.
As mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, foram reveladas no dia 1º de setembro, após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF). Flávio afirmou que Moraes não tem mais condições de permanecer no cargo e defendeu a renúncia do ministro. A bancada do PL no Senado também anunciou um novo pedido de impeachment de Moraes e cobrou investigação do ministro, do chefe da PF, Andrei Rodrigues, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
O ato na Paulista deve reunir nomes como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, a candidata ao Senado Michelle Bolsonaro (PL-DF) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O pastor Silas Malafaia, organizador de outros atos bolsonaristas no local, afirmou à BBC News Brasil que o evento será grande "dada a revolta do povo" com a situação de Moraes e prometeu fazer seu discurso mais duro contra o ministro. As cúpulas do Congresso Nacional, no entanto, apostam que o bolsonarismo não conseguirá encher a avenida, segundo apuração do jornal Valor Econômico.
Analistas ouvidos pela BBC News Brasil apontam que a crise pode ter impacto negativo para Lula, ainda que seu nome não esteja diretamente implicado no episódio, por associação a Rodrigues e Gonet, indicados pelo governo petista. Para a cientista política Carolina Botelho, da Universidade Mackenzie, o ato dificilmente terá efeito fora da bolha bolsonarista. Já Luciana Santana, da Universidade Federal de Alagoas, avalia que Flávio enfrenta um dilema: quanto mais radical for o ato, maior a mobilização da base, mas menor a capacidade de atrair eleitores moderados.
A campanha de Flávio, porém, também saiu arranhada do episódio envolvendo o Banco Master. Em maio, foi revelado que o candidato pediu R$ 134 milhões a Vorcaro para financiar um filme em homenagem a seu pai, o que o fez cair quatro pontos nas pesquisas na semana seguinte. O candidato, no entanto, recuperou fôlego nas últimas semanas, e a expectativa é que o ato desta segunda-feira sirva de teste para sua estratégia de equilibrar o discurso de confronto com o STF e a necessidade de ampliar o eleitorado.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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