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Bispo coreano: a fé nasce de um encontro, mesmo em tempos de IA

Atualizado em 07/09/2026 às 13:50 schedule 3 min de leitura visibility 7 visualizações share 0 compartilhamentos star star star star star (0)

Bispo coreano: a fé nasce de um encontro, mesmo em tempos de IA

Dom Germanus Kwak Jin-Sang, bispo auxiliar da Diocese de Suwon, na Coreia do Sul, defende que a fé cristã continua nascendo de um encontro pessoal, mesmo em uma época marcada pelo avanço da inteligência artificial e pela comunicação mediada por telas. A declaração foi feita durante sua participação em Roma no curso de formação para novos bispos promovido pelo Dicastério para a Evangelização.

Em entrevista à Agência Fides, o prelado ressaltou que a experiência concreta de relacionamento permanece insubstituível na transmissão da fé. Para ele, a Igreja pode utilizar as novas tecnologias para alcançar as pessoas, mas sem permitir que o mundo virtual substitua a experiência real de comunidade, liturgia e encontro com Cristo. Segundo o bispo, a inteligência artificial pode ser uma ferramenta útil, mas não deve levar à confusão entre o virtual e o real — princípio que também se aplica às redes sociais, que muitas vezes criam apenas contatos rápidos e mediados por uma tela.

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DEVIEM

A reflexão do bispo encontra raízes na própria história do cristianismo na Coreia. Nos primeiros tempos da Igreja no país, a fé foi transmitida principalmente de pessoa para pessoa por leigos que haviam entrado em contato com os textos cristãos. Em uma sociedade profundamente hierarquizada e influenciada pelo confucionismo, a mensagem de que todos os seres humanos pertencem a uma mesma família representava uma transformação profunda, levando os primeiros cristãos a acolher pobres, servos e marginalizados. Para Dom Kwak, esse legado permanece atual em um mundo marcado por conflitos, guerras e disputas por recursos.

O bispo também destacou o papel central da liturgia nesse processo. Para ele, a celebração não é apenas um momento para ouvir ensinamentos ou preservar uma tradição, mas uma experiência na qual a pessoa pode encontrar concretamente a realidade de Cristo. Vídeos curtos e conteúdos para redes sociais podem despertar curiosidade, mas não substituem a experiência litúrgica. Diante do sucesso de determinadas comunidades evangélicas na Coreia do Sul, que estabelecem uma comunicação mais direta e emocional, Kwak propõe uma reflexão sobre o significado profundo da liturgia e da fé, lembrando que razão e fé não são realidades opostas.

A dimensão do encontro também estará no centro da preparação para a Jornada Mundial da Juventude de 2027, que será realizada em Seul. O bispo defende que o evento não deve ser entendido como uma iniciativa exclusiva para jovens, mas como uma oportunidade de renovação da fé de toda a Igreja. Um dos elementos considerados mais importantes será a hospedagem de peregrinos em casas de famílias coreanas, proporcionando um contato simples e profundo entre pessoas de diferentes países e gerações. Kwak incentiva inclusive os idosos a oferecerem um quarto aos peregrinos, sem se preocuparem com diferenças de idade ou idioma: aplicativos de tradução podem ajudar, mas a hospitalidade e a presença humana permanecem fundamentais. A mesma lógica se aplica ao desafio da reconciliação entre as duas Coreias, com a paz apresentada às novas gerações como uma escolha ligada à dignidade humana e à superação do individualismo e da competição.

Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Sobre o autor

Por Ivan Marra

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