O matemático que passou 7 anos tentando resolver problema solucionado por amador com IA
O matemático Jared Duker Lichtman, da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, recebeu um email inesperado com a resposta para um problema no qual trabalhava havia sete anos. O enigma, conhecido como problema 1196 de Erdős, foi solucionado por um entusiasta da matemática com o uso de inteligência artificial (IA). Lichtman contou que, após cerca de uma hora lendo e conferindo o resultado bruto produzido pela IA, ficou claro que a solução estava correta e que a ideia era muito boa.
O problema faz parte de uma coleção formulada pelo matemático húngaro Paul Erdős (1913-96), que viveu como um viajante da matemática, sem casa ou posses, e deixou mais de 1,2 mil problemas. O caso envolve os chamados conjuntos primitivos, que seguem uma lógica parecida com a dos números primos: escolhem-se números de modo que nenhum deles possa ser dividido exatamente por outro. Lichtman, que já havia resolvido outro problema de Erdős após quatro anos de trabalho, continuava pensando no problema 1196 havia três anos quando recebeu a mensagem.
O autor da solução foi Liam Price, britânico de 23 anos sem formação universitária em matemática. Price afirmou que usou uma IA da OpenAI, criou um prompt engenhoso e, após cerca de 80 minutos de processamento, obteve uma solução. Ele então passou o resultado para outra versão do modelo verificar, que não encontrou erros no raciocínio. Lichtman destacou que o GPT-5.4 Pro encontrou uma nova forma de abordar o problema, por meio de um método que havia passado despercebido pela literatura matemática, e que a solução também resolveu outras questões relacionadas.
O matemático não se incomodou com o fato de uma IA ter chegado à solução antes dele. Para Lichtman, o importante é ter acesso à resposta, independentemente de como ela foi obtida. Ele também ressaltou que a IA precisou de alguém com conhecimento profundo para reconhecer o valor do resultado bruto. Poucas semanas depois, um modelo da OpenAI refutou outra conjectura de Erdős que permanecia sem solução havia quase 80 anos, e a empresa anunciou outros dez avanços em problemas matemáticos em aberto, com a participação de matemáticos na análise e formalização dos resultados.
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