Como Daniel Vorcaro foi envolvido no sumiço de obra de Tarsila do Amaral de R$ 250 milhões
O quadro O Sol Poente, de Tarsila do Amaral, considerado desaparecido pela Justiça, foi oferecido ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, por R$ 120 milhões — menos da metade dos R$ 250 milhões pelos quais a obra havia sido avaliada pelas autoridades. A oferta foi feita em abril de 2024 e incluía a condição de que o banqueiro mantivesse sigilo por ao menos cinco anos caso efetuasse a compra, já que a obra integra um espólio cujo inventário não foi concluído e não pode ser vendida.
As informações constam de mensagens extraídas do WhatsApp de Vorcaro pela Polícia Federal. A proposta foi transmitida pela designer de interiores Luciana Gontijo, que atuava como interlocutora do banqueiro com artistas plásticos e galerias. Segundo a mensagem, "a mulher" que queria vender a obra não poderia divulgá-la pelos cinco anos seguintes e só poderia oferecê-la a Vorcaro e a mais uma pessoa no Brasil — esta teria oferecido R$ 80 milhões. A obra foi feita na mesma época de O Abaporu e esteve em retrospectiva de Tarsila no MoMA, em 2018.
Poucos meses depois da oferta, o quadro apareceu no chão da casa de Roberto Setúbal, ex-CEO do Itaú, que desistiu da compra devido aos impedimentos jurídicos. Nem Vorcaro nem Setúbal concluíram a negociação, mas a obra continuou a circular ilegalmente no mercado até pelo menos o fim de 2025, segundo apurou a BBC.
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