Como conflitos globais viraram dor de cabeça para Trump em eleições de meio de mandato nos EUA
Com a aproximação das eleições que decidirão o controle do Congresso dos Estados Unidos, em 3 de novembro, o presidente Donald Trump voltou seus olhos para o exterior — e para a Rússia, em particular — em busca de ajuda para lidar com um de seus problemas mais urgentes: os altos preços dos combustíveis no mercado doméstico. A estratégia, porém, esbarra em desdobramentos globais que ameaçam minar os esforços do presidente antes que ele consiga qualquer benefício nas urnas.
Na tarde de sexta-feira, Trump anunciou um acordo com o presidente russo, Vladimir Putin, para o fornecimento de centenas de milhares de toneladas de diesel russo aos EUA nos próximos meses. Em publicação na rede Truth Social, apresentou a medida como algo que traria "preços mais baixos para os americanos" e ordenou ao Departamento do Tesouro que suspendesse as restrições que impediam a venda do combustível russo nos mercados globais. Dois dias depois, divulgou um novo acordo de cessar-fogo energético entre Rússia e Ucrânia.
A realidade, no entanto, mostrou-se mais complicada. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou não ter sido avisado com antecedência sobre o acordo, embora tenha dito que seu país o cumpriria. A Rússia manteve-se em silêncio e, na noite de domingo, lançou uma nova onda de ataques contra usinas elétricas ucranianas. "É evidente que Putin não lê o Truth Social", observou Zelensky na segunda-feira, acrescentando que, se a Rússia não concordar com um cessar-fogo energético neste inverno, a Ucrânia responderá.
Nos últimos dias, Zelensky tornou-se o principal alvo da ira de Trump, já que os ataques ucranianos à infraestrutura petrolífera russa contribuíram para a escassez mundial de energia. No sábado, o presidente americano disse a repórteres na Casa Branca que chegou a hora de a Ucrânia ter um novo presidente, e afirmou que Zelensky deve "parar imediatamente" os ataques às refinarias russas. O anúncio sobre o diesel também gerou críticas internas: quatro senadores republicanos se uniram aos democratas em uma carta que pede a Trump que "revertesse imediatamente sua decisão", argumentando que o Congresso proibiu explicitamente as importações de energia russa em 2022.
Além das críticas, o cessar-fogo anunciado teve pouco efeito sobre o preço do diesel, que continua bem acima de US$ 6 por galão. Enquanto isso, uma nova onda de ataques dos houthis contra a Arábia Saudita, incluindo atentados a aeroportos e infraestrutura energética que mataram pelo menos 13 pessoas no fim de semana, ameaça pressionar ainda mais os mercados globais de energia. Para o ex-embaixador dos EUA na Arábia Saudita, Michael Ratney, a situação "vai piorar antes de realmente se acalmar".
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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