Cidade de SC prepara megaprojeto para receber os maiores navios de cruzeiro do mundo
A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) incluiu a construção de um terminal de passageiros de cruzeiros como exigência contratual na proposta de arrendamento definitivo do Porto de Itajaí, em Santa Catarina. A medida integra um contrato de 25 anos, com cerca de R$ 2,6 bilhões em investimentos previstos, e obriga a futura concessionária a entregar a estrutura, avaliada em R$ 300 milhões, até o sexto ano de operação.
O projeto, desenvolvido pelo Instituto Mais Itajaí com investimento de cerca de R$ 1 milhão na contratação da multinacional WSP, prevê três pisos, aproximadamente 30 mil metros quadrados de área construída e 424 metros de cais contínuo. Segundo Giovani Sandri, coordenador do grupo de trabalho do terminal no instituto, a estrutura foi dimensionada para receber os maiores navios do mundo, da classe Oasis. A área escolhida foi o Centro Comercial Portuário, ao lado do Centro de Eventos, onde a cidade hoje monta estrutura provisória para receber os cruzeiros.
A demanda que justifica a obra é medida pelos números da temporada 2025/2026. Itajaí recebeu 37 escalas de cinco navios de quatro armadores, entre 30 de novembro e 18 de abril, com pouco mais de 169 mil passageiros movimentados em 140 dias de operação. Em 33 dessas escalas houve embarque e desembarque de passageiros, o equivalente a 89,1% de toda a movimentação da temporada. Apenas quatro escalas foram de trânsito, quando o navio atraca por horas e segue viagem sem troca de passageiros.
O impacto econômico da atividade é estimado pela Secretaria de Turismo do município em R$ 48,7 milhões na última temporada, em uma faixa de R$ 40,9 milhões a R$ 56,5 milhões. Sandri acredita que o número tende a crescer com a estrutura permanente. A localização de Itajaí, às margens da BR-101 e próxima ao Aeroporto Internacional de Navegantes, é apontada como um dos diferenciais do projeto, mas também expõe gargalos de mobilidade e hotelaria em períodos de alta temporada.
O processo ainda depende de etapas regulatórias. Após a consulta pública, as contribuições serão analisadas pela Antaq, e o processo segue para apreciação do Tribunal de Contas da União antes da publicação do edital. O leilão está previsto para o primeiro semestre de 2027, embora a agência não tenha fixado data para a conclusão da obra. Sandri estima que, mesmo após a assinatura do contrato, serão necessários entre três e seis anos de estudos finais e licenciamento antes da operação.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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