China ordena 18º bispo sob acordo que dá ao Vaticano poder de veto
China ordena 18º bispo sob acordo que dá ao Vaticano poder de veto
O padre Andrew Ding Yang foi ordenado arcebispo de Chongqing, no sudoeste da China, em cerimônia realizada na terça-feira, 8 de setembro. A sé estava vaga desde 26 de março de 2001. A ordenação foi a quarta celebração desde 15 de junho e a oitava durante o pontificado de Leão XIV, seguindo os procedimentos do acordo entre Pequim e a Santa Sé que rege a nomeação de bispos no país.
Ding nasceu em 16 de setembro de 1981, no distrito de Hechuan, em Chongqing. Ingressou no seminário de Pequim em 2000 e concluiu a formação sacerdotal em 2006. Foi ordenado sacerdote em 24 de maio de 2007, após um ano de serviço pastoral na Paróquia de São José, em Yuzhong. Entre 2009 e 2011, estudou teologia na Universidade de São José, em Macau, e de 2012 a 2014 atuou como formador no Seminário Nacional da Igreja Católica na China. Em 2014, mudou-se para Roma para estudos na Pontifícia Universidade da Santa Cruz, retornando à China no ano seguinte. Depois disso, exerceu funções pastorais em paróquias de Tongliang, Tongnan, Tongguanyi e Jiulongpo, todas na Arquidiocese de Chongqing.
O processo de nomeação e ordenação de Ding ocorreu integralmente durante o pontificado de Leão XIV, o que sinaliza a intenção do papa de dar continuidade ao diálogo entre Roma e Pequim. O Vaticano costuma aguardar o dia da ordenação para anunciar nomeações episcopais na China, o que explica diferenças entre a ordem cronológica das nomeações e a sequência dos anúncios públicos.
As oito ordenações realizadas no atual pontificado não significam que todos os bispos foram nomeados por Leão XIV. Dois prelados ordenados anteriormente e ligados à chamada Igreja clandestina — comunidade católica não reconhecida oficialmente pelas autoridades chinesas — foram posteriormente reconhecidos pelo governo comunista, regularizando sua situação eclesiástica e civil.
Com a ordenação de Ding, 18 bispos católicos chineses foram ordenados sob o Acordo Provisório assinado pela Santa Sé e pela China, firmado pela primeira vez em 2018. O conteúdo integral do acordo nunca foi divulgado. Ele foi renovado a cada dois anos até 2024, quando foi estendido até 2028. Pelos termos publicamente conhecidos, o papa mantém a palavra final sobre as nomeações episcopais na China, incluindo o direito de rejeitar candidatos indicados por Pequim. Em contrapartida, a Santa Sé se comprometeu a não nomear bispos sem a aprovação prévia do governo chinês. Os dois países não mantêm relações diplomáticas desde 1951.
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