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Carros elétricos dão mais enjoo? O que pode explicar o mal-estar de alguns passageiros

Por Ivan Marra
Atualizado em 12/10/2026 às 14:20 schedule 3 min de leitura visibility 6 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Passageiros de carros elétricos relatam sentir mais enjoo de movimento do que em veículos com motor a combustão. A cinetose, nome técnico do mal-estar, é causada por uma discrepância entre os sinais sensoriais que o corpo usa para perceber o movimento: o que se vê, o que o sistema de equilíbrio do ouvido interno capta e o que as fibras do corpo sentem. Quando um desses estímulos entra em conflito com os outros — como olhar para o celular sem ver os sinais visuais de movimento pela janela —, o enjoo pode aparecer.

Entre os fatores apontados por especialistas para explicar a maior incidência em elétricos está a ausência dos sinais sonoros e das vibrações do motor aos quais as pessoas estão acostumadas, que ajudam a indicar quando o carro está acelerando. Outro ponto é a frenagem regenerativa, processo em que o motor funciona como gerador quando o acelerador é solto, criando resistência que desacelera o veículo e produz eletricidade para a bateria. Se o pedal não for liberado suavemente, a desaceleração pode ser brusca e dar a sensação de balanço para frente e para trás. A aceleração e a desaceleração mais rápidas em comparação aos carros convencionais também podem contribuir.

A pesquisadora Irene Di Giulio, do King's College London, afirma que estudos feitos até agora sugerem que algumas pessoas experimentam cinetose mais severa em veículos elétricos. O neurologista Nicholas Hac, da Northwestern Medicine, diz que ouve relatos do tipo de pacientes com frequência. Já Bill Yates, que pesquisou o tema na Universidade de Pittsburgh, avalia que o conjunto de pesquisas ainda é superficial e que faltam estudos sérios e abrangentes.

A cinetose não afeta todos os passageiros de elétricos. Muitos proprietários relataram não sentir enjoo nesses veículos, e alguns dizem enjoar menos do que em carros tradicionais. A associação de condutores EVA England afirma que o problema nunca surgiu entre seus membros e atribui o mal-estar a outros fatores, como o estilo de condução. A fabricante chinesa XPeng, por sua vez, já declarou publicamente que o enjoo é causado por efeitos colaterais da forma como os carros elétricos são projetados.

Segundo especialistas, mulheres e crianças são mais suscetíveis, e a genética tem a maior influência. O enjoo de movimento costuma atingir o pico entre os 8 e os 10 anos de idade e diminuir com maior exposição. Com a popularidade crescente dos elétricos, evitar esses veículos pode ser um desafio: o número de novos carros com emissão zero registrados no Reino Unido aumentou 40,5% entre abril e junho de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, segundo o Departamento de Transportes britânico.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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