Brasil tem matriz elétrica três vezes mais renovável que a média mundial
A Conferência Internacional de Energias Inteligentes – Smart Energy 2026 terminou nesta quarta-feira (23), em Curitiba, com a divulgação de dados que colocam o Brasil em posição de destaque na transição energética. Segundo números de 2025 apresentados pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) durante o evento, cerca de 90% da matriz elétrica brasileira é renovável, percentual muito superior à média mundial, de aproximadamente 35%.
Na matriz energética, que considera não apenas a eletricidade, mas todas as formas de energia utilizadas no país, a participação das fontes renováveis chegou a 50% em 2025. No mundo, esse índice é próximo a 14%. "O Brasil é referência mundial em energia de fontes renováveis. Os outros países querem chegar onde nós estamos", afirmou Thiago Ivanoski, diretor de Estudos de Energia Elétrica da EPE, durante painel do evento.
De acordo com o diretor, o desempenho brasileiro é resultado de decisões e políticas públicas adotadas ao longo de décadas. Entre os exemplos citados estão o avanço do uso de biocombustíveis e a ampliação da infraestrutura de transmissão de energia. Ivanoski mencionou o aumento da participação do biodiesel no diesel e do etanol na gasolina como medidas que contribuíram para elevar em 10% a participação das fontes renováveis na matriz energética brasileira.
Na matriz energética de 2025, a biomassa da cana respondeu por 15,8% e a energia hidráulica, por 10,7%. Também aparecem entre as fontes renováveis a lenha e o carvão vegetal (8,3%), outras renováveis (8,9%), energia eólica (3%) e solar (2,7%). Entre as fontes não renováveis, petróleo e derivados representaram 33,7% da oferta interna, seguidos pelo gás natural, com 10,3%.
Outro fator apontado foi a expansão da rede de transmissão. Segundo levantamento da EPE, a extensão das linhas passou de aproximadamente 125 mil quilômetros, em 2016, para 182 mil quilômetros em 2025. Apesar do destaque, Ivanoski observou que, há cerca de quatro anos, surgiu uma nova demanda da sociedade: a eletricidade para o transporte, em especial com o crescimento dos veículos elétricos. Com o avanço acelerado desse consumo, considera o diretor, é necessário acompanhar como ocorre o carregamento e qual será o impacto sobre o sistema, o que pode exigir novas políticas públicas. A próxima edição da Smart Energy já foi anunciada para 13 e 14 de setembro de 2027.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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