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As fãs de BTS que conheceram o grupo depois dos 60 anos: 'Morri de vergonha, mas fui'

Por Ivan Marra
Atualizado em 29/10/2026 às 07:35 schedule 3 min de leitura visibility 5 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O grupo sul-coreano BTS faz três apresentações no estádio do MorumBIS, em São Paulo, nesta quarta-feira (28) e nos dias 30 e 31 de outubro. Os integrantes estavam em hiato desde 2022, quando suspenderam as atividades para cumprir o serviço militar obrigatório, e a última passagem da banda pelo Brasil havia sido em 2019. Todos os setores das três datas esgotaram em menos de uma hora e meia após a abertura da venda geral.

Entre o público estão fãs que conheceram o grupo já depois dos 60 anos. Eliette Amaral, de 63, quase não foi à festa de aniversário de um fã-clube em 2022, em Maringá, no Paraná, cidade vizinha de Sarandi, onde mora. O convite veio da afilhada. "Morri de vergonha, mas fui", conta. Levou a neta, então com 15 anos, e passou a noite conversando com outra senhora da mesma idade. Depois vieram outros encontros, sessões de cinema, troca de lembrancinhas e um grupo de amigas, muitas bem mais jovens. "É um bando de mulheres apaixonadas por sete meninos", resume.

Eliette diz ter ouvido falar do BTS pela primeira vez por meio da afilhada, que foi ao show de 2019, mas só se interessou em 2022, ao ver Jungkook cantar "Dreamers" na abertura da Copa do Mundo. Estava se aposentando e havia passado por duas covids. Hoje participa de dois grupos de fãs e ajuda a montar um terceiro. "Elas me ajudam a viver, me ajudam a sorrir", afirma. "Você não se sente mais sozinha." Os fãs do grupo se chamam ARMY, e a cor do fandom é o roxo.

Júlia Fernandes Soares Augusto, de 86 anos, chegou ao BTS por outro caminho: acompanhava outros grupos coreanos e pediu ao neto que lhe mostrasse outros artistas. Seu preferido é J-Hope. Quando a turnê foi anunciada, pediu à neta, a professora Beatriz Horta, de 28 anos, que a levasse ao show. Uma amiga também fã comprou os ingressos para as duas. O vídeo em que Beatriz conta à avó que iriam ao show passou de 800 mil visualizações. "Eu vivi experiências incríveis que jamais imaginaríamos viver aos 86 anos", diz a neta.

A neuropsicóloga Veruska Vasconcelos, especialista em gerontologia, afirma que a solidão na velhice nem sempre tem a ver com estar sem gente por perto. Segundo ela, no fandom a mulher pode ser reconhecida pelo que gosta e compartilha, e não apenas como mãe, avó ou cuidadora. A especialista ressalva que não há evidência suficiente para dizer que participar de um fandom previne depressão em idosos. Ela chama de etarismo o julgamento que estabelece um limite social para o entusiasmo, como se envelhecer significasse abrir mão da curiosidade e da diversão.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Ivan Marra

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