Após vitória histórica em eleições regionais, direita radical alemã busca apoio para formar governo na Saxônia
AfD fica a três cadeiras da maioria e negocia apoio para governar a Saxônia-Anhalt
O partido de direita radical Alternativa para a Alemanha (AfD) tenta formar governo no Estado da Saxônia-Anhalt após vencer as eleições regionais de domingo (6/9) com 43,8% dos votos. O resultado deixou a legenda a três cadeiras de conquistar a maioria absoluta no parlamento estadual, que tem 83 assentos — a AfD deve ficar com 39, segundo resultados preliminares ainda não finalizados.
A vice-líder parlamentar do partido, Beatrix von Storch, afirmou à BBC que a sigla está "muito, muito perto" de chegar ao poder e pediu que adversários aceitem negociar. "Você não pode dizer que não aceita o voto do povo", disse. O partido busca apoio de outras legendas ou de parlamentares individuais para governar, já que a maioria dos partidos alemães se recusa a trabalhar com a AfD, classificada pelo serviço de inteligência doméstico como "extremista de direita" no Estado.
O chanceler Friedrich Merz, da conservadora União Democrata-Cristã (CDU), disse estar "profundamente chocado" com o resultado, que classificou como "sísmico". A CDU viu sua votação no Estado cair para 17,2%, praticamente a metade do que obteve anteriormente. Merz reconheceu a derrota como a pior sofrida pelo partido "em anos, se não décadas" e afirmou que o país precisa de "reformas profundas". Nenhum partido de direita radical governa um Estado alemão desde a Segunda Guerra Mundial.
O líder da AfD na Saxônia-Anhalt, Ulrich Siegmund, disse que o partido recebeu um "mandato claro para governar" e que as conversas com outras legendas começaram na noite de domingo. Entre as possibilidades discutidas está um acordo informal pelo qual o BSW, partido populista de esquerda que deve conquistar cinco cadeiras, daria apoio tácito a um governo minoritário da AfD. O BSW também adota linha dura em relação à imigração. Uma nova eleição para romper o impasse também é citada como possibilidade.
Os planos da AfD para o Estado incluem separar crianças refugiadas em turmas especiais e criar uma força-tarefa para deter e deportar migrantes sem direito de permanência. O partido também defende a "remigração", termo entendido por críticos como referência à deportação em massa de migrantes. A legenda lidera pesquisas nacionais de intenção de voto, mas seu principal reduto está nos Estados do leste da Alemanha.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Palavras-Chave
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar