Os novos vídeos que indicam possível papel de agente da Arábia Saudita no 11 de Setembro
Vídeos obtidos pela BBC indicam possível papel de agente saudita no 11 de Setembro
Vídeos obtidos pela BBC e que fazem parte de um processo bilionário movido por familiares das vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001 mostram Omar al-Bayoumi, homem apontado como possível elo entre a Arábia Saudita e os sequestradores, em contato próximo com um futuro líder da al-Qaeda. As imagens, que estavam em posse do FBI poucos dias após os ataques, contradizem 25 anos de negativas de Bayoumi, que sempre negou ser extremista ou espião saudita.
Nos vídeos, gravados no fim dos anos 1990, Bayoumi aparece abraçando Anwar al-Awlaki, que mais tarde lideraria a al-Qaeda na Península Arábica, e participando de partidas de paintball perto de San Diego com Awlaki e um funcionário do Ministério dos Assuntos Islâmicos da Arábia Saudita. As gravações, que nunca haviam sido exibidas publicamente, foram encontradas entre os pertences de Bayoumi quando ele foi preso no Reino Unido, poucos dias após os ataques de 2001.
O material integra uma ação judicial na qual famílias das vítimas acusam a Arábia Saudita de cumplicidade nos atentados. A investigação da BBC também localizou um diagrama de um avião acompanhado de uma equação matemática sobre a descida de voo, encontrado com Bayoumi. O documento foi enviado ao escritório do FBI em Nova York e analisado, mas nunca foi compartilhado com investigadores britânicos que interrogaram Bayoumi, nem com a Comissão do 11 de Setembro, a investigação independente sobre o caso que matou quase 3 mil pessoas.
Agentes do FBI em San Diego, onde Bayoumi viveu, solicitaram repetidamente cópias das evidências, mas não receberam a maior parte delas. Os escritórios do FBI em San Diego e Los Angeles também foram impedidos de entrevistar contatos de Bayoumi ligados ao governo saudita. Uma autoridade do Departamento de Justiça dos EUA afirmou à BBC que nunca lhe foi apresentada uma proposta para processar Bayoumi com base no diagrama, embora já tenham ocorrido condenações por evidências consideradas mais frágeis. Bayoumi jamais foi processado.
Em depoimento remoto em 2021, Bayoumi insistiu que não conhecia Awlaki, afirmação contradita pelos vídeos, que só foram disponibilizados confidencialmente ao tribunal um ano depois e incluídos nos registros públicos em setembro deste ano. Nem Bayoumi nem o governo saudita responderam aos pedidos de comentário da BBC, mas ambos sempre negaram qualquer envolvimento ou conhecimento prévio dos ataques. O FBI declarou que não se pronunciaria sobre o caso.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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