Aliada defende Milei e pede retorno de embaixador brasileiro em meio à crise diplomática
A senadora argentina Patricia Bullrich, aliada do presidente Javier Milei, defendeu o governo argentino e cobrou do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o retorno do embaixador brasileiro em Buenos Aires. A declaração ocorre em meio ao aumento da tensão diplomática entre os dois países, que se arrasta desde a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington.
Na avaliação da senadora, a manutenção do embaixador brasileiro fora da Argentina não contribui para o diálogo bilateral e prejudica a relação entre as nações. Bullrich classificou a postura do governo Lula como desproporcional e afirmou que a Argentina segue disposta a manter canais abertos com o Brasil, seu principal parceiro comercial no Mercosul.
A crise ganhou novos contornos após os Estados Unidos revogarem o visto da embaixadora brasileira em Washington. Em resposta, Lula prometeu adotar medidas recíprocas, o que elevou o mal-estar e atingiu diretamente a relação com a Argentina, aliada histórica do Brasil. O governo brasileiro, até o momento, não detalhou oficialmente os critérios para a volta do embaixador a Buenos Aires.
Nos bastidores, a avaliação de diplomatas é que o impasse tende a se prolongar enquanto não houver um aceno concreto do Planalto. Enquanto isso, a oposição argentina usa o episódio para reforçar críticas ao governo Milei, embora Bullrich tenha evitado associar a crise à gestão do presidente. Não há informação pública sobre uma agenda de conversas diretas entre os chanceleres para destravar o assunto.
Em Brasília, interlocutores do Itamaraty ouvidos nos bastidores afirmam que a decisão sobre o retorno do embaixador será tomada com base na avaliação do impacto da revogação do visto sobre a imagem do Brasil no cenário internacional, e não por pressões externas. A leitura predominante é a de que a reciprocidade anunciada por Lula já foi suficiente como resposta institucional, e que o passo seguinte dependerá de gestos concretos de Washington.
Enquanto isso, a oposição argentina tem explorado o episódio para questionar a condução da política externa de Milei, mas sem apresentar dados novos sobre o impacto econômico do impasse. Órgãos dos dois governos não detalharam, até o momento, se há negociações em curso por canais paralelos.
As declarações de Bullrich foram feitas em entrevista a veículos de imprensa argentinos, conforme registros públicos de suas manifestações recentes. A senadora não apresentou documentos ou comunicados oficiais que comprovem a existência de tratativas formais entre os governos.
Os canais diplomáticos entre Brasil e Argentina seguem operando em nível técnico, mas os detalhes dessas conversas não foram divulgados pelas chancelarias. Dados públicos consolidados indicam que o comércio bilateral segue ativo, embora os efeitos concretos do impasse sobre as relações econômicas ainda não tenham sido mensurados oficialmente.
Pelo Palácio do Planalto, a avaliação inicial é a de que a declaração de Bullrich integra o jogo político interno argentino e não altera os termos da resposta já dada por Brasília. Fontes do governo brasileiro sustentam que a medida de reciprocidade foi uma decisão soberana e que eventuais gestos de distensão devem partir de quem iniciou o movimento que atingiu a embaixadora.
Em nota à imprensa, o Itamaraty limitou-se a reafirmar que o Brasil mantém diálogo permanente com todos os países da região, sem mencionar diretamente a fala da senadora ou estabelecer prazos para a normalização da representação diplomática em Buenos Aires.
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