Última Hora
• Apesar do silêncio de Milei, governo argentino diz que 'tomou conhecimento' do resultado das eleições no Brasil • O que pesa contra Flávio Bolsonaro e por que um dos inquéritos está nas mãos de Alexandre de Moraes • Pesquisas erraram resultado da eleição? O que elas podem não ter captado, segundo especialistas • Quem estava ao lado de Flávio Bolsonaro no discurso da derrota • Como um movimento de estudantes nascido de uma tragédia acabou com 14 anos de domínio político na Sérvia • Assédio eleitoral aos trabalhadores é crime; veja como denunciar • Polícia Federal cancela passaportes de Flávio Bolsonaro • Número de superendividados no Brasil cresceu 75% em cinco anos, diz BC • Apesar do silêncio de Milei, governo argentino diz que 'tomou conhecimento' do resultado das eleições no Brasil • O que pesa contra Flávio Bolsonaro e por que um dos inquéritos está nas mãos de Alexandre de Moraes • Pesquisas erraram resultado da eleição? O que elas podem não ter captado, segundo especialistas • Quem estava ao lado de Flávio Bolsonaro no discurso da derrota • Como um movimento de estudantes nascido de uma tragédia acabou com 14 anos de domínio político na Sérvia • Assédio eleitoral aos trabalhadores é crime; veja como denunciar • Polícia Federal cancela passaportes de Flávio Bolsonaro • Número de superendividados no Brasil cresceu 75% em cinco anos, diz BC
Ver Todas

Ações de Moraes expõem risco da PF virar uma polícia política protetora do “sistema”

Por Ivan Marra
Atualizado em 12/09/2026 às 15:20 schedule 3 min de leitura visibility 50 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
mail

A crise entre os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e André Mendonça colocou no centro do debate o uso da atividade de inteligência da Polícia Federal. Segundo analistas ouvidos em reportagem, ações recentes de Moraes evidenciaram como um recurso que deveria servir apenas ao combate ao crime organizado pode ser instrumentalizado para transformar a corporação em uma polícia política, voltada a proteger uma estrutura de poder.

A existência de setores de inteligência na PF não é, por si só, um problema. Eles integram o Sistema Brasileiro de Inteligência, comandado pelo Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, e têm a função de antecipar movimentos de organizações criminosas, identificar conexões entre investigados e cruzar informações. Como a atividade não precisa produzir provas tão robustas quanto as do sistema legal, suas descobertas orientam decisões policiais, mas não deveriam fundamentar investigações e processos criminais. O problema surge quando a inteligência passa a monitorar autoridades por causa de posicionamentos, convicções e até inclinação religiosa, e não por indícios de crime.

Para a constitucionalista Vera Chemin, relatórios de inteligência têm a finalidade exclusiva de proteger o Estado e as autoridades dos três Poderes, e sua natureza exige que permaneçam no ambiente institucional, submetidos a critérios técnicos de produção, avaliação e validação. Ela identifica três riscos no episódio: o desvio da finalidade do setor, o risco jurídico do uso de documentos sem os requisitos para sustentar acusações criminais e o risco processual de informações de inteligência justificarem medidas investigativas sem provas independentes. "Um relatório de inteligência apócrifo é juridicamente inválido e não contém elementos probatórios suficientes para fundamentar qualquer acusação, inquéritos e menos ainda uma ação penal", afirma.

Na avaliação da doutora em Direito Público Clarisse Andrade, a PF precisa preservar autonomia técnica e manter limites institucionais claros. "Quando instrumentos de inteligência passam a ser empregados para mapear posicionamentos, relações ou possíveis estratégias de autoridades públicas, surge o risco de que uma ferramenta destinada à proteção do Estado seja interpretada como instrumento de disputa entre grupos de poder", destaca.

Em petição tornada pública no dia 8, Mendonça apontou a existência de seis relatórios produzidos entre 3 e 31 de agosto e afirmou ter sido alvo de monitoramento ilegal. Os documentos levantavam supostas ligações entre o ministro e o advogado-geral da União, Jorge Messias, com base em "matriz religiosa comum", e recomendavam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não indicasse novamente Messias ao STF. Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência, Leandro Almada, decisão depois anulada pelo presidente do STF, Edson Fachin, que também impediu Moraes de usar os relatórios para abrir investigação contra o colega. Rodrigues afirmou que apenas cumpriu ordens de Moraes ao enviar os documentos e defendeu que Mendonça fez uma "interpretação equivocada" da atividade de inteligência.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

Leia a seguir Politica Apesar do silêncio de Milei, governo argentino diz que 'tomou conhecimento' do resultado das eleições no Brasil Porta-voz da Casa Rosada afirmou que divergências políticas entre os presidentes não devem afetar as relações… Continuar leitura arrow_forward

Continue neste assunto

Comentários nesta matéria

Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.

Ainda não há comentários publicados nesta matéria.

Sua avaliação desta matéria

Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.

Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).

Entrar para comentar

Por

Ivan Marra

Quem sou eu

Sou desenvolvedor de software fullstack com mais de 20 anos de experiência na criação de soluções inteligentes, seguras e escaláveis. Atuo desde o backend até o design de interfaces, unindo…

Mais de Ivan Marra