4 investigações que os democratas podem lançar contra Trump após conquistar o controle do Congresso
Após conquistarem o controle da Câmara dos Representantes e do Senado nas eleições de meio de mandato, as midterms, os democratas já discutem quais ações do governo de Donald Trump podem ser alvo de investigações. O domínio do Congresso dá ao partido o poder de emitir intimações — convocações para depor ou apresentar documentos — e de destinar verbas adicionais para apurar casos. Segundo pessoas familiarizadas com os bastidores, membros do partido começaram a elaborar uma lista de possíveis investigações e testemunhas.
O primeiro alvo deve ser a família e as finanças de Trump. O deputado democrata da Virgínia Suhas Subramanyam, membro do Comitê de Supervisão da Câmara, afirmou à BBC que o partido quer garantir que o dinheiro dos contribuintes "seja usado com sabedoria e não seja roubado ou desviado por causa de corrupção". Entre os pontos em análise estão os vínculos entre o governo e empresas, particularmente as de criptomoedas; os negócios internacionais do genro do presidente, Jared Kushner; e os contratos de defesa concedidos a empresas ligadas à família. Também pode ser investigado o avião de US$ 400 milhões oferecido pelo Catar para integrar a frota da Air Force One. A Casa Branca nega irregularidades e afirma que os democratas não têm agenda para melhorar a vida dos americanos, apenas planos para obstruir o governo.
Outra frente é a atuação do secretário de Defesa, Pete Hegseth, na guerra com o Irã, iniciada em fevereiro. Parlamentares democratas prometem apurar o número de vítimas civis, os gastos no conflito e acusações de escassez de munições e de instalações mal preparadas. Também pode entrar na lista a sequência de ataques a barcos no Caribe que, segundo o governo Trump, transportariam drogas. Em abril, um grupo de deputados apresentou um raro pedido de impeachment contra Hegseth, citando a guerra e acusando-o de "crimes graves e delitos menores". O Pentágono rebate: a secretária de imprensa Kingsley Wilson chamou Hegseth de "líder transformador" que reduziu a burocracia e trouxe resultados para os combatentes.
A imigração e as operações do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) aparecem como prioridade para democratas de alto escalão, incluindo Robert Garcia, escolhido antes das midterms para liderar o Comitê de Supervisão da Câmara. As apurações poderiam analisar acusações de má conduta de agentes durante operações pelo país, mas o tema é politicamente delicado: Trump fez campanha prometendo deportações em massa, e pesquisas recentes sugerem desconforto de parte dos americanos com algumas táticas usadas pelo ICE neste ano.
Por fim, o partido está dividido sobre tentar um terceiro impeachment de Trump. Alguns, como a deputada Alexandria Ocasio-Cortez, defendem o processo, citando a guerra não autorizada com o Irã e outros supostos crimes. Outros preferem cautela, argumentando que dificilmente haveria votos suficientes no Senado para destituí-lo. Não há garantia de que qualquer investigação resulte em punição substancial, mas Subramanyam diz que os esforços, no mínimo, enviariam uma mensagem: "Se não fizermos algo por medo da repercussão, ou porque achamos que não terá sucesso, ou por nos obstruírem, isso será ruim. Não apenas pelos próximos dois anos, mas pelos próximos 20 anos."
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