Presidente do PT propõe voto em lista partidária com cotas para candidatos LGBT
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, defendeu uma mudança no sistema eleitoral que eliminaria o voto direto em cada candidato nas eleições proporcionais — para vereador, deputado estadual e deputado federal. Em artigo publicado neste sábado (7), ele propôs a adoção do voto em listas definidas pelos partidos, modelo em que o eleitor vota no partido, que previamente estabelece a ordem dos candidatos que ocuparão as vagas conquistadas.
Segundo Edinho, o formato permitiria ampliar a política de reserva de candidaturas para grupos específicos. "Podemos determinar, por exemplo, que pelo menos 50% das candidaturas nas listas sejam de mulheres. Podemos estabelecer percentuais mínimos para jovens, população negra, povos indígenas, pessoas com deficiência e população LGBT", afirmou. Hoje, a lei obriga a reserva de 30% das candidaturas para mulheres. Não há percentual mínimo para pessoas negras, mas ao menos 30% dos recursos do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário precisam ser destinados a essas candidaturas.
O presidente do PT diferenciou sua proposta de outra em discussão, na qual as listas seriam definidas pelos dirigentes partidários. Na sua ideia, a definição ocorreria por meio de votações dos filiados em cada estado. "Os filiados de Pernambuco escolheriam a lista de Pernambuco. Os filiados do Rio Grande do Sul escolheriam a lista do Rio Grande do Sul. O mesmo aconteceria em São Paulo, no Rio de Janeiro e em todas as unidades da Federação", explicou.
Edinho também propôs limitar os mandatos parlamentares a no máximo três, com o objetivo de criar "condições para a renovação geracional e o surgimento de novas lideranças". Atualmente, a reeleição ao Legislativo pode ocorrer indefinidamente. Ele ressaltou que as medidas não são consequência automática do voto em lista. "São escolhas que podem e devem fazer parte de uma reforma política comprometida com a democratização do sistema partidário e da representação parlamentar", pontuou.
O debate sobre o voto em lista não é novo. A proposta já foi rejeitada pela Câmara dos Deputados em 2007, por 252 votos a 181, e novamente em 2015, por 402 votos a 21. O próprio Edinho já defendia a mudança quando assumiu a presidência do PT. O tema voltou à pauta do Congresso após as eleições de 2026, com lideranças do Centrão articulando a adoção do voto distrital misto, modelo que combina representantes eleitos por distritos com outros escolhidos por listas partidárias. Edinho rejeitou essa proposta e reiterou sua preferência pelo voto em lista.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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