Urna eletrônica completa 30 anos de revolução nas eleições do Brasil
Há 30 anos, o Brasil dava início à maior transformação de seu processo eleitoral. Em 1996, a urna eletrônica estreou nas eleições municipais, ainda em caráter de teste, batizada oficialmente como Coletor Eletrônico de Votos (CEV). Antes disso, o voto era registrado em cédulas de papel, marcadas à caneta e depositadas em urnas de lona. A apuração era manual e levava dias, o que abria espaço para fraudes — entre elas a chamada "urna grávida", quando cédulas já preenchidas eram colocadas na urna antes do início da votação.
O desenvolvimento do sistema começou em 1995, com a participação de especialistas de vários órgãos, entre eles as Forças Armadas, o Ministério da Ciência e Tecnologia e o Ministério das Comunicações. A partir das eleições municipais de 2000, todos os eleitores do país passaram a votar eletronicamente. Ao longo das décadas, a urna recebeu melhorias: em 1998, passou a exibir a foto dos candidatos; em 2002, foram instituídos a cerimônia pública de lacração dos sistemas e o teste de integridade; em 2004, os códigos-fonte começaram a ser auditados; e, em 2006, teve início a identificação biométrica. Em 2022, a capacidade de processamento aumentou 18 vezes e o terminal do mesário ganhou tela sensível ao toque.
Neste ano, a urna continua a incorporar recursos. A tela vai apresentar um intérprete de Libras para indicar voto nulo, branco e legenda, além de uma barra de progresso da votação na parte superior do painel. O equipamento também informará ao eleitor quantos dígitos são esperados para cada cargo.
A segurança do sistema é auditada em mais de 40 processos, antes, durante e depois das eleições. Um ano antes do pleito, em outubro de 2025, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) abriu o acesso aos códigos-fonte, que puderam ser conferidos por partidos políticos, Polícia Federal e Ministério Público até setembro, quando os sistemas foram lacrados. A urna não é conectada à internet nem recebe conexão via bluetooth ou wi-fi, o que impede ataques hackers pela rede. Ao fim da votação, os dados são gravados em mídia criptografada e protegidos por assinatura digital, e a urna emite o Boletim de Urna, que registra os resultados da seção eleitoral. Em 30 anos de uso, a Justiça Eleitoral nunca registrou uma fraude comprovada.
O modelo brasileiro não é isolado. Ao menos 34 países usam ou já usaram sistemas eletrônicos de votação, e 17 deles adotam urnas eletrônicas em maior ou menor grau, entre eles França, Bulgária, Índia, Peru, México e Estados Unidos, em alguns estados.
Esta matéria foi publicada primeiro em Política · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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