'Um clã tão radical quanto disfuncional', diz reportagem de capa do Financial Times sobre a família Bolsonaro
A revista de fim de semana do Financial Times dedica sua reportagem de capa à família Bolsonaro, sob o título "Escândalo e sucessão na Casa dos Bolsonaro". Assinado por Michael Pooler, chefe do escritório do jornal britânico no Brasil, o texto descreve o clã como uma família "tão radical quanto disfuncional", que pode estar perto de retornar ao poder com a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência.
Segundo o jornal, os Bolsonaro oscilam entre o conservadorismo e o caos e adotam um estilo paranoico de fazer política. A reportagem os compara à família Trump, afirmando que ambas encarnam o espírito político dos anos 2020, marcado pela fusão entre celebridade, redes sociais e busca pelo poder.
O texto abre com um episódio de junho, quando Michelle Bolsonaro acusou o enteado Flávio de humilhá-la em uma disputa interna do partido e classificou a atitude como "uma facada nas costas". Para o FT, os detalhes da briga importavam pouco; o que chamou atenção foi a hostilidade aberta, que expôs uma fissura no centro da principal família da direita brasileira. Segundo um assessor da campanha ouvido pelo jornal, a equipe de Flávio chegou a temer que tudo estivesse perdido. Madrasta e enteado só se reconciliaram publicamente em meados de agosto, após semanas de mediação de aliados — gesto que, registra o jornal, não convenceu a todos. O pastor Silas Malafaia, aliado próximo da família, disse ao FT que a disputa é sobre herança política: "A briga é sobre quem vai carregar o nome".
O jornal descreve Jair Bolsonaro como um "rei-sol em declínio", condenado a 27 anos de prisão por tramar a permanência ilegal no poder e cumprindo prisão domiciliar em Brasília, com visitas restritas e proibido de se comunicar publicamente. Flávio, 45 anos, é apresentado como o "moderado autodeclarado" e o filho "mais normal". Carlos, 43, é o estrategista das redes sociais, chamado de "pit bull da família". Eduardo, 42, que vive no Texas desde 2025, teve o mandato cassado e foi condenado à revelia em junho por pressionar autoridades americanas a interferir no julgamento do pai. O FT dedica boa parte do texto à ascensão de Michelle, apontada como possível "arma secreta" dos Bolsonaro e hoje candidata ao Senado pelo Distrito Federal.
A reportagem relata ainda tropeços de Flávio em 2026, entre eles um áudio vazado em maio no qual o senador pede dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar um filme sobre a trajetória do pai. Flávio nega irregularidades e afirma que se tratava de um acordo privado. O jornal observa que, apesar dos escândalos, os ventos sopram a favor do senador: a maioria das pesquisas mostra Lula ligeiramente à frente no primeiro turno, mas aponta empate técnico no segundo. O texto termina com uma frase do ex-chanceler Ernesto Araújo, para quem Bolsonaro "não é só um homem, é uma ideia".
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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