Tropas dos EUA deixam o Iraque após 20 anos: por que agora, o que mudou e o que vem a seguir?
Os Estados Unidos devem concluir até esta quarta-feira, 30 de setembro, a retirada de suas últimas tropas do Iraque, encerrando mais de duas décadas de atuação militar no país. A saída marca o fim de uma operação iniciada com a invasão liderada pelos EUA em 2003, que derrubou Saddam Hussein e abriu caminho para anos de insurgência e violência sectária.
Oficialmente, a retirada decorre de um acordo firmado em 2024 entre Washington e Bagdá para encerrar a Operação Resolução Inerente, a missão da coalizão liderada pelos EUA contra o grupo autointitulado Estado Islâmico (EI). No auge da Guerra do Iraque, em 2007, mais de 170 mil soldados americanos estavam mobilizados no país. Em dezembro de 2023, antes do acordo, esse número havia caído para cerca de 2.400, segundo o Comando Central dos EUA. Desde então, as forças americanas reduziram sua presença, deixando apenas um pequeno contingente na região autônoma do Curdistão, no norte do Iraque.
As forças americanas já haviam deixado o Iraque em 2011, durante o governo de Barack Obama, mas retornaram três anos depois, a pedido de Bagdá, após o Estado Islâmico tomar grandes áreas do país. Desde então, seu papel evoluiu de operações de combate para treinamento, assessoria e compartilhamento de informações. Segundo especialistas ouvidos pela BBC, a medida também reflete a pressão política de longa data dentro do Iraque, onde sucessivos governos enfrentaram exigências para o fim da presença militar americana, vista por muitos como violação da soberania iraquiana.
Analistas argumentam que o momento da partida deste mês é motivado mais por preocupações de segurança do que pelo fim oficial da missão contra o EI. O pesquisador HA Hellyer, do think tank britânico RUSI, destaca os recentes ataques a instalações americanas no norte do Iraque em meio às tensões regionais envolvendo o Irã, acrescentando que Washington considera cada vez mais seu pessoal remanescente como alvos vulneráveis. Safwan Al-Amin, do Atlantic Council, observa que a guerra com o Irã expôs a presença americana mais como uma vulnerabilidade do que como uma vantagem.
Apesar da retirada, especialistas afirmam que a influência dos EUA no país dificilmente desaparecerá. Al-Amin aponta que Washington mantém influência considerável devido à dependência do Iraque das receitas petrolíferas em dólares e à necessidade de compra de armamento e apoio diplomático. Yerevan Saeed, da Universidade Americana em Washington, lembra que a maior embaixada dos EUA no mundo fica em Bagdá, assim como o maior consulado americano, em Erbil. A maior incógnita, porém, continua sendo o futuro das milícias iraquianas apoiadas pelo Irã, que o primeiro-ministro Ali al-Zaidi pretendia colocar sob controle total do Estado.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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