Trabalhadores de app têm jornada maior, mas ganham menos por hora, aponta estudo do IBGE
Um levantamento experimental divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (4/9) mostra que os trabalhadores de aplicativos no Brasil ganham por hora menos do que os demais empregados do setor privado, apesar de cumprirem jornadas mais longas. Os dados se referem ao terceiro trimestre de 2025.
Em 2025, quem trabalhava por plataformas digitais recebia, em média, R$ 3.147 por mês, valor praticamente idêntico aos R$ 3.148 dos demais trabalhadores do setor privado. A diferença aparece quando se considera o tempo de trabalho: a jornada semanal média dos plataformizados era de 44,7 horas, contra 39,3 horas dos outros empregados. Assim, o rendimento por hora ficou em R$ 16,20 para o grupo de apps e R$ 18,40 para os demais.
Em 2022, quando a série histórica começou, os trabalhadores de aplicativos tinham vantagem salarial: recebiam R$ 3.115 mensais, ante R$ 2.847 dos demais ocupados. Desde então, o rendimento do setor privado cresceu 10,6%, enquanto o dos plataformizados praticamente não avançou em termos reais. Segundo Gustavo Geaquinto, analista do IBGE, a estabilidade reflete a ausência de ganho real para motoristas de automóveis e motocicletas por aplicativo, que representam cerca de três quartos do total do grupo.
A pesquisa identificou ao menos 2 milhões de pessoas trabalhando por meio de plataformas digitais no terceiro trimestre de 2025, entre motoristas, entregadores e comerciantes. Desses, 1,8 milhão (92,1%) tinham os aplicativos como trabalho único ou principal, um crescimento de 36,8% ante 2022. A maioria é homem (84,4%) e 62,5% têm ensino médio completo ou superior incompleto. O transporte particular de passageiros concentra 58,9% do total, seguido pelos aplicativos de entrega, com 585 mil trabalhadores.
O estudo também apontou menor proteção social entre esses trabalhadores: apenas 34% contribuíam para o INSS em 2025, contra 62,4% dos demais empregados do setor privado. A informalidade atingia 72,1% do grupo, ante 42,7% dos outros trabalhadores. Na última terça-feira (1º/9), entregadores realizaram manifestações em diversas cidades pedindo melhores condições de trabalho e reajuste nos repasses das plataformas.
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