Como Nepal resgatou dois sobreviventes em túnel nove dias após avalanche que deixou mais de 1,3 mil mortos
Resgate no Nepal: dois sobreviventes são retirados de túnel nove dias após avalanche
Duas pessoas foram resgatadas com vida de um túnel no Nepal mais de uma semana após uma enxurrada repentina atingir a fronteira do país com o Tibete, deixando mais de 1,3 mil mortos. Acredita-se que outras dezenas de pessoas ainda estejam presas no mesmo local, um túnel de uma usina hidrelétrica.
O australiano Arnold Dix, presidente da Associação Internacional de Túneis e Espaços Subterrâneos, orientou as autoridades locais na operação. Ele relatou à BBC os obstáculos enfrentados pela equipe. O primeiro deles foi localizar a entrada do túnel, que ficou completamente soterrada após o desastre. "Nunca soube de uma operação de resgate em que você precisava procurar a entrada de um túnel que, antes, ficava em cima do morro e, agora, estava soterrado", afirmou.
Com o auxílio de mapas topográficos, imagens de satélite e filmagens de helicóptero, a equipe conseguiu triangular a posição e começar a cavar. O caminho até os sobreviventes, no entanto, estava bloqueado por lama e rochas, algumas maiores que automóveis. Para limpar a passagem, foi necessário usar explosivos, uma medida arriscada. "Normalmente, nunca faríamos isso, devido ao risco de explodirmos as pessoas presas no túnel e a nós mesmos", explicou Dix, que elogiou o trabalho do Exército nepalês no gerenciamento das explosões.
Os socorristas também precisaram drenar a água que tomava o local, escavando trincheiras até o rio. Por fim, abriram uma passagem minúscula, do tamanho de uma pessoa, através dos escombros no topo do túnel. Nas primeiras horas da manhã de sexta-feira, ouviram vozes e conseguiram puxar Sanjaya Shah e Kabir Maharjan, ambos vivos.
A operação, no entanto, está longe do fim. Dix calcula que a equipe já escavou cerca de 60 metros e precisará avançar mais 150 metros para chegar à usina. A expectativa é encontrar outros sobreviventes em uma região que ele chama de "zona Cachinhos Dourados", no nível mais alto da hidrelétrica, considerada "mais favorável à vida". "É um grande alívio saber que estamos no caminho certo. Renova a nossa energia saber que nossa ideia funciona", disse. "Conseguimos retirar duas pessoas. Mas nós dizemos que o jogo continua, está na hora de quebrar a banca."
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