Se achou a eleição ruim, não queira ler como a Wikipedia a descreve
O colunista Flávio Morgenstern critica, em texto publicado na Gazeta do Povo, a forma como a Wikipedia descreve as eleições de 2026. Segundo ele, o verbete da enciclopédia online trata o pleito como marcado por "suspeitas de interferências externas das big techs", com conteúdos sugeridos por algoritmos que seriam benéficos ao campo do bolsonarismo e de parte da direita — asserção que, na avaliação do colunista, é feita sem apresentação de provas.
Morgenstern aponta que a única base citada pela Wikipedia para essa suspeita é uma coluna que reproduz alegação da campanha de Lula, mas que também registra reclamação da campanha de Flávio Bolsonaro sobre manipulação. Para o colunista, a enciclopédia omite essa parte e reforça uma descrição do bolsonarismo como fenômeno de extrema-direita e cariz fascista. Ele também questiona a fonte usada para falar do "crescimento de manifestações numerosas nas ruas" durante a campanha: uma opinião de um cientista político em entrevista a um jornal, identificado como ex-filiado ao PCB.
O texto critica ainda o que chama de tratamento desigual entre os candidatos. Segundo o colunista, a Wikipedia fala em "erros de Flávio e aliados" sem mencionar a estranheza de institutos de pesquisa apontarem vantagem de Flávio Bolsonaro até a véspera da eleição, nem o fato de Lula ter crescido sobre o eleitorado do adversário em 5.385 municípios, o equivalente a 96,7% do total. Ele também afirma que não há menção aos baixos índices de popularidade de Lula no ano anterior nem ao tema da segurança, tratado como fundamental por boa parte da população.
Morgenstern compara seções dedicadas ao deputado Nikolas Ferreira e ao deputado André Janones. Diz que o texto descreve Nikolas como divulgador de "peças eleitorais enganosas", citando um vídeo com crianças e uma fala de Lula sobre o exame papanicolau, enquanto, segundo ele, não há menção a episódios envolvendo Janones — como o vídeo com uma pessoa parecida com Flávio Bolsonaro, o livro em que ele teria confessado uma invenção na eleição anterior e o habeas corpus de sua ex-esposa. O colunista também questiona a abordagem sobre o incêndio da UFPE e sobre as publicações que associavam Flávio Bolsonaro à intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Por fim, o colunista afirma que o verbete não traz informação sobre Roberta Luchsinger, que, segundo ele, "sacudiu as eleições na última semana", e critica a existência de uma seção sobre "suspeitas de parcialidade de Nunes Marques". Ele conclui que o texto da enciclopédia passa a impressão de uma eleição em que "Lula acertou tudo, Flávio não acertou nada".
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar