Mosteiro de Santa Catarina se aproxima de acordo para encerrar disputa com governo egípcio
O Ministério das Relações Exteriores do Egito informou que o ministro Badr Abdelatty recebeu uma carta do arcebispo Symeon Papadopoulos, abade do Mosteiro de Santa Catarina, confirmando a disposição de assinar o acordo sobre o mosteiro e as terras ao seu redor. Abdelatty saudou a medida e reafirmou o compromisso do Egito de preservar o local e seu significado religioso como marco histórico que incorpora valores de tolerância e coexistência entre religiões e civilizações.
Segundo Nader Shukry, pesquisador especializado em questões de cidadania e assuntos coptas, ouvido pela ACI MENA, serviço irmão em árabe da EWTN News, o acordo foi bem recebido pela Grécia e pelos três patriarcados ortodoxos gregos de Jerusalém, Constantinopla e Alexandria, sob cuja jurisdição o mosteiro está. As disposições completas ainda não foram divulgadas oficialmente.
Informações que circulam sobre as negociações indicam que o texto deve tratar do status de 72 lotes de terra ao redor do mosteiro, alguns cultivados pelos monges. Em 2015, a Governadoria do Sinai do Sul entrou com ação judicial sobre as propriedades. Em maio de 2025, um tribunal de apelações decidiu que o mosteiro não tinha direito legal às terras disputadas, impôs multa de 10 milhões de libras egípcias e ordenou a desocupação das propriedades. Pelos termos relatados, os monges poderiam continuar usando as terras que cultivam sob contrato de arrendamento com aluguel nominal, mas o destino de todos os 72 lotes permanece incerto.
Shukry observou que uma audiência no Tribunal de Cassação do Egito, inicialmente prevista para outubro, foi adiada para 27 de dezembro, para dar tempo à assinatura do acordo antes da decisão judicial. Ele atribuiu o atraso à condição de saúde de Papadopoulos, que está na Grécia. O acordo também deve tratar do status de residência dos monges, todos estrangeiros, facilitando a renovação das autorizações. Após a assinatura, um decreto presidencial deve reconhecer formalmente Papadopoulos como chefe do mosteiro, permitindo transações bancárias e procedimentos administrativos oficiais. O pesquisador citou o precedente do antecessor, arcebispo Damianos, cuja posição foi reconhecida por decreto do então presidente Anwar Sadat, que também lhe concedeu a cidadania egípcia.
Na avaliação de Shukry, o acordo traria maior estabilidade ao mosteiro e permitiria ao governo egípcio avançar com o projeto Grande Transfiguração, iniciativa para transformar a área de Santa Catarina em destino internacional de turismo religioso. Ele afirmou que o projeto não afeta o mosteiro em si e rejeitou relatos de que as autoridades pretendam expulsar os monges ou assumir o controle do local. Ainda assim, a oposição persiste entre alguns monges e clérigos, incluindo o ex-abade Damianos, que rejeitam qualquer acordo que reconheça a propriedade estatal sobre o mosteiro e as terras. Os críticos sustentam que documentos históricos preservados no mosteiro estabelecem os direitos de propriedade da Igreja sobre a área.
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