Ressurgimento de Bolsonaro expõe a fraqueza de Lula, diz jornal econômico mais importante do mundo
O jornal britânico Financial Times publicou um editorial no qual analisa o que descreve como a iminência do retorno da família Bolsonaro ao poder em Brasília. O texto, que repercutiu resultados do primeiro turno das eleições de 2026 no Brasil, parte de uma comparação entre a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e a decisão dos Estados Unidos de não punir Donald Trump por sua tentativa de reverter o resultado da eleição de 2020.
Segundo o periódico, o Brasil foi elogiado por sua "disposição em defender a democracia e se proteger dos aspectos mais perigosos do populismo de extrema-direita". Ainda assim, o jornal afirma que, "assim como Trump desafiou as probabilidades para conquistar um segundo mandato como presidente dos EUA, a família Bolsonaro tem grandes chances de protagonizar seu próprio retorno notável". Caso isso se concretize, escreve o Financial Times, o movimento "coroaria uma trajetória notável de candidatos alinhados a Trump na América Latina".
O editorial cita a guinada à direita na região nos últimos anos, com a eleição de Javier Milei, na Argentina; Daniel Noboa, no Equador; Santiago Peña, no Paraguai; José Antonio Kast, no Chile; Rodrigo Paz, na Bolívia; e, mais recentemente, Abelardo de la Espriella, na Colômbia. Nayib Bukele, em El Salvador, também é apontado como um dos principais expoentes da direita latino-americana e aliado de Trump.
De acordo com o jornal, a força recuperada pelos Bolsonaro após a derrota para Lula em 2022 não está nas realizações de Flávio Bolsonaro, mas nas falhas de Lula, que teriam ficado mais evidentes nesta campanha. O senador Flávio Bolsonaro (PL) superou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno, com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% do petista.
O Financial Times aponta a segurança pública como a primeira dificuldade de Lula, que teria dificuldade para convencer os eleitores de que possui resposta eficaz para a ascensão das facções do narcotráfico. A segunda é o campo econômico: segundo o texto, uma política fiscal frouxa contribuiu para taxas de juros elevadíssimas, que penalizam os 82% das famílias brasileiras com dívidas pessoais. O editorial também afirma que Lula "acaba sendo responsabilizado pelas falhas de terceiros", citando o escândalo que envolveu ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), entre eles Alexandre de Moraes, e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, preso por suspeita de fraudar mais de R$ 12 bilhões do sistema financeiro nacional. O texto ressalva que Lula não teve ligação direta com o escândalo, ao contrário de Flávio, que solicitou financiamento ao banqueiro para um filme sobre seu pai.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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