Resistência às vacinas contra gripe e covid coloca gestantes em risco
Duas gestantes atendidas na rede pública do Rio de Janeiro mantêm a vacinação em dia durante o pré-natal e relatam que o acompanhamento médico foi decisivo para completar o calendário de imunização. Nataly Saldanha, de 39 semanas, espera Noely e afirma que colocou a carteirinha em dia assim que iniciou o pré-natal. "Caso tenha alguma doença circulando, eu estou imune. E também me preocupo bastante com a minha bebê", diz. Raissa Silva de Oliveira, com 34 semanas e à espera de Rafael, conta que o médico revisou sua carteira e orientou as próximas doses. "Eu acredito na ciência", afirma.
Nem todas as grávidas, porém, chegam ao parto protegidas. Dados do Ministério da Saúde mostram que, em 2025, apenas 55% das gestantes se vacinaram contra a covid-19 e 63% contra a influenza, considerando Sudeste, Sul, Nordeste e Centro-Oeste. Os números preliminares deste ano indicam melhora para a gripe, com 76% de cobertura, mas a covid-19 segue em 55%. A meta para os dois imunizantes é de 90% do público-alvo.
As consequências aparecem nos registros de síndrome respiratória aguda grave (SRAG). Entre 2022 e o início de agosto de 2026, pelo menos 286 gestantes ou puérperas desenvolveram SRAG por influenza, com 25 mortes — sete delas neste ano. No mesmo período, a covid-19 provocou ao menos 205 casos graves e 21 mortes. Nos três principais anos da pandemia, 2020 a 2022, foram 3.547 casos de SRAG por covid-19 nesse grupo, com 811 óbitos, quase um quarto das mulheres infectadas.
Para a diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Flávia Bravo, dois fatores explicam os índices: a desvalorização da gripe e a desinformação sobre a covid-19. "Prevaleceu esse mito de que é uma vacina experimental, feita às pressas, o que é mentira", afirma. A ginecologista Giuliane Lajos, da Febrasgo, lembra que a gestação altera o sistema imunológico e reduz o espaço pulmonar, o que agrava infecções. "Se estiver vacinada, às vezes a mulher pode até ter uma infecção, mas não vai ser com gravidade", diz.
Além de influenza e covid-19, o SUS oferece às gestantes as vacinas contra hepatite B, dT, dTpa e VSR. A imunização materna também protege o bebê após o parto, já que a vacinação contra gripe e covid-19 só começa aos 6 meses. Estudos citados pelas especialistas apontam redução de cerca de 70% da gripe nos primeiros meses de vida e maior concentração de anticorpos no cordão umbilical do que no sangue da mãe.
Esta matéria foi publicada primeiro em Saúde · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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