Quem são Rui Barbosa, de Gaulle e outros líderes da América Latina citados por Flávio
O senador Flávio Bolsonaro, candidato derrotado na eleição de domingo, divulgou na quarta-feira (28) uma carta aberta ao povo brasileiro na qual afirma que pretende liderar a oposição ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva a partir dos Estados Unidos. No texto, ele menciona líderes históricos que, segundo sua argumentação, precisaram atuar no exterior contra governos que enfrentavam.
Na carta, Flávio escreveu que "não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe dele" e citou Rui Barbosa, Charles de Gaulle, José Martí, Juan Guaidó, Edmundo González e María Corina Machado. Segundo ele, todos foram tratados como criminosos pelos regimes que combatiam e a história os julgou de outra forma. O documento foi divulgado horas após a chegada do senador aos EUA, viagem feita depois que seu passaporte havia sido cancelado pela Polícia Federal, em meio a investigações sobre ele e o advogado Willer Tomaz, em um caso que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro.
Rui Barbosa e De Gaulle
Jurista, político e diplomata brasileiro, Rui Barbosa (1849-1923) é apontado como uma das figuras mais importantes do início da República. Ficou conhecido pela defesa da Constituição, das liberdades civis e do Estado de Direito, e ganhou projeção internacional por seus discursos na Conferência de Haia de 1907, que lhe rendeu o apelido de "Águia de Haia". Durante o governo de Floriano Peixoto, tornou-se um dos principais críticos do presidente, sustentando que a permanência dele no poder era inconstitucional. Em 1893, passou a sofrer perseguição do governo e, para evitar a prisão, refugiou-se na representação diplomática do Chile e depois deixou o Brasil, vivendo em Buenos Aires, Lisboa, Paris e Londres. Do exterior, continuou escrevendo contra o que considerava abusos do governo Floriano, retornando ao país apenas em 1895.
General e presidente da França, Charles de Gaulle (1890-1970) é considerado uma das principais figuras da resistência ao nazismo na Segunda Guerra Mundial. Em junho de 1940, após a derrota militar francesa para a Alemanha, recusou-se a aceitar a rendição e a colaborar com o regime de Vichy. Exilado em Londres, lançou um apelo transmitido pela BBC conclamando os franceses a continuarem a luta e organizou o movimento França Livre. Foi condenado à morte à revelia pelas autoridades de Vichy. Com a libertação da França em 1944, foi recebido com festa em Paris e assumiu a liderança do governo provisório; entre 1959 e 1969, foi presidente do país.
José Martí e os venezuelanos
Poeta, jornalista e político cubano, José Martí (1853-1895) é considerado o principal herói da luta pela independência de Cuba, proclamada em 1902. Perseguido na juventude por fazer oposição ao domínio colonial espanhol, atuou sobretudo fora do país, especialmente em Nova York, onde viveu cerca de 15 anos. Dos EUA, escreveu artigos, fez discursos, arrecadou recursos e trabalhou para unir exilados cubanos. Em 1892, fundou no exílio o Partido Revolucionário Cubano. Retornou a Cuba em 1895 para participar da luta e morreu em combate na batalha de Dos Ríos.
Na Venezuela, Juan Guaidó concorreu contra Nicolás Maduro em uma eleição em 2019 e se autoproclamou presidente interino, alegando que a vitória do adversário havia sido ilegítima. Após anos de disputa política e crescente pressão do governo, deixou o país em 2023 e, no exterior, continuou denunciando o governo Maduro e defendendo eleições livres. Edmundo González, diplomata e político, tornou-se o principal candidato da oposição na eleição presidencial de 2024, novamente contra Maduro; após o pleito, cuja legitimidade foi contestada pela oposição e por diversos governos estrangeiros, deixou a Venezuela e passou a viver na Espanha, de onde continuou reivindicando a vitória eleitoral da oposição.
María Corina Machado é uma das mais conhecidas líderes da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz do ano passado. Impedida pelas autoridades de concorrer à Presidência em 2024, apoiou a candidatura de González. A maior parte de sua atuação ocorreu dentro da Venezuela, muitas vezes em locais secretos, e não no exílio. Ela deixou o país em dezembro de 2025 para receber o Nobel da Paz e só retornou neste mês, após temporadas nos EUA e no Panamá.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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