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Eleição em Israel tem impasse sobre maioria — 4 cenários possíveis para o futuro do país

Por Celso Rafael
Atualizado em 29/10/2026 às 15:20 schedule 4 min de leitura visibility 5 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Com mais de 85% dos votos apurados após as eleições de terça-feira (27/10), Israel caminha para um impasse político. Nem a coligação do atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nem o bloco do seu principal adversário, Gadi Eisenkot, parecem estar no rumo de conseguir maioria no Parlamento. Para formar governo, é provável que um dos principais partidos tenha de quebrar promessas de campanha — o que torna a realização de novas eleições o desfecho mais provável.

1. Governo de unidade liderado por Netanyahu

Netanyahu poderia tentar persuadir Eisenkot a integrar um governo de unidade nacional. Para isso, o adversário teria de abandonar sua principal plataforma: Eisenkot se apresenta como a única alternativa a Netanyahu e construiu a campanha em torno da ideia de destituí-lo do poder. Na noite da eleição, ele pediu que Netanyahu anunciasse sua aposentadoria da vida política, mas o apelo veio antes de uma das principais pesquisas de boca de urna ser revisada e apontar ultrapassagem do atual premiê. Netanyahu poderia ainda tentar atrair o partido de Eisenkot ao Likud, abandonando os partidos de extrema-direita e ultraortodoxos com quem hoje governa — mas, na sede do Likud, agradeceu aos "parceiros leais" e pediu um "governo de direita forte". A retomada do conflito com o Irã poderia pressionar os líderes a deixar diferenças de lado.

2. Coligação liderada por Eisenkot com partidos árabes

O cenário representaria uma mudança radical: apenas um partido árabe independente integrou formalmente uma coalizão, em 2021, e a participação durou pouco. Eisenkot e quase todos os partidos judeus do seu bloco já descartaram governar com eles, mas esse é o único caminho da oposição para alcançar a maioria. Os partidos árabes foram o destaque da noite e podem conquistar um número recorde de 19 cadeiras, impulsionados por participação sem precedentes de uma população que representa cerca de um quinto do país. A Lista Árabe Unida, com previsão de cerca de 7 cadeiras, afirmou que se juntaria a um governo de oposição; a Lista Conjunta, com previsão de 12, disse que apoiaria um novo governo. O único líder judeu que defende esse cenário é Yair Golan, do Partido Democrata. Uma coalizão assim seria frágil, sobretudo em temas como Gaza e a Cisjordânia ocupada.

3. Maioria liderada por Netanyahu com direitistas da oposição

Netanyahu poderia tentar atrair partidos de direita do bloco de Eisenkot. Os nomes mais prováveis são Naftali Bennett, co-líder da aliança Beyachad, e Avigdor Lieberman, líder do Yisrael Beiteinu. Ambos são de direita, adotam linha dura em segurança e têm afinidades com Netanyahu, mas fizeram campanha explicitamente para destituí-lo e para estender o serviço militar obrigatório aos ultraortodoxos, o que os colocou em conflito com os dois partidos ultraortodoxos do atual governo. Os cálculos eleitorais indicam que essa aliança pode não ter as cadeiras necessárias para formar maioria.

4. Novas eleições

Se nenhum cenário for negociável, o resultado serão novas eleições — vistas por muitos como vitória tácita de Netanyahu, que permaneceria como primeiro-ministro interino até o novo pleito. Analistas avaliam que a alta participação árabe não se repetiria, especialmente se a representação recorde no Parlamento não resultar em mudanças, e que uma segunda eleição poderia mobilizar mais eleitores de direita. Netanyahu também pode apostar que os cerca de 70 mil israelenses que voltaram do exterior para votar, e que se acredita serem contrários a ele, não repetiriam o gesto. Partidos de direita que não ultrapassaram a cláusula de barreira de 3,25% podem atrair menos votos ou nem concorrer, o que beneficiaria o Likud e seus aliados. Entre 2019 e 2022, Israel realizou cinco eleições.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Celso Rafael

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Viúvo, aposentado, pai de 2 filhos. Nasci em Medina, cresci em Belo Horizonte. Ex- servidor público, trabalhei vários anos na prefeitura de Belo Horizonte. Na sociedade civil atuei como Grande…

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