Quem é Santiago Peña, aliado de Trump que renunciou em meio a escândalo no Paraguai
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao mandato nesta quinta-feira (5/11), após a crise do banco digital Ueno Bank aumentar a pressão sobre seu governo. "Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar nossas instituições democráticas", afirmou.
A decisão ocorre dois dias depois de o Banco Central paraguaio determinar, por unanimidade de sua diretoria, a intervenção na fintech. O órgão constatou que o índice de solvência da instituição caiu para menos da metade do mínimo exigido. A medida levou à suspensão imediata de todos os serviços do Ueno Bank, que segundo dados da própria empresa tem 3 milhões de clientes — o equivalente a 60% da população adulta do país. A crise provocou o bloqueio de recursos públicos e das economias de milhões de clientes.
Trajetória e perfil técnico
Nascido em Assunção, Peña tem 47 anos e é economista formado pela Universidade Católica do Paraguai, onde lecionou Teoria Financeira e Teoria Econômica. Em 2001, foi aos Estados Unidos fazer mestrado em Administração Pública na Universidade Columbia, em Nova York. Em 2009, integrou a equipe do Fundo Monetário Internacional (FMI), em Washington, onde dirigiu a relação do órgão com a África. Durante uma década, atuou no Banco Central do Paraguai, primeiro na área de Pesquisa Econômica e depois como diretor.
Ele entrou na política nacional em 2015, ao assumir o Ministério da Fazenda no governo de Horacio Cartes. Em 2017, renunciou ao cargo para disputar a candidatura à Presidência nas eleições internas do Partido Colorado, mas perdeu para seu antecessor, Mario Abdo. No ano seguinte, passou a integrar o conselho de administração do Banco Basa, do Grupo Cartes. Eleito em 2023 com ampla vantagem sobre Efraín Alegre, do Partido Liberal Radical Autêntico, Peña dedicou um agradecimento especial a Cartes em seu discurso de vitória. Em 2022, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos classificou Cartes como "significativamente corrupto".
Alinhamento com Trump e desempenho econômico
Alinhado ao governo de Donald Trump, Peña elogiou o presidente americano em uma reunião do Escudo das Américas, coalizão criada em março por Washington com governos da região para combater o crime organizado. No mesmo mês, assinou um acordo que autoriza a presença temporária de pessoal civil e militar do Pentágono e de empresas americanas no país para atividades de treinamento e exercícios militares — medida que dividiu legisladores e a opinião pública. No plano econômico, o Paraguai cresceu, em média, 5,5% ao ano nos últimos três anos, período que coincide com seu governo, acima da média dos vizinhos sul-americanos. Peña chegou ao poder prometendo "mais dinheiro no bolso dos paraguaios", com geração de empregos, formalização da economia e sem aumento de impostos.
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