'Fiz um teste para saber se minha vida seria curta — e isso me transformou'
Laura Sides sempre foi muito próxima do pai, um médico de família descrito por ela como carinhoso e dedicado. Quando os sintomas de Alzheimer se agravaram, ela abandonou a universidade para cuidar dele — tinha acabado de completar 21 anos. Foi durante uma consulta médica do pai que soube que tinha 50% de chance de desenvolver a mesma forma de demência de início precoce, conhecida como "variante de Londres". "Só conseguia pensar que era como fazer cara ou coroa", contou ela à apresentadora Sian Williams, do podcast Life Changing, da BBC Radio 4.
O pai morreu em 2009, um ano depois da morte da mãe. Sides viajou sozinha pelo mundo e se estabeleceu em Melbourne, na Austrália, onde a preocupação com a herança genética voltou. Em 2013, procurou um especialista, que explicou que o teste poderia determinar com quase certeza se ela havia herdado a condição; se tivesse o gene, os primeiros sinais seriam esperados entre os 46 e os 48 anos. Ela recusou naquele momento, mas, ao entrar na casa dos 30, decidiu fazer o exame, após seis meses de aconselhamento genético. O resultado veio após seis semanas de espera: ela havia herdado o gene.
Hoje com 43 anos, Sides participou de estudos clínicos em vários países e diz não perder o sono pensando no que virá. Ela afirma ser grata pelas pessoas que fazem parte de sua vida e que descobriu poder ser amada apesar da condição. Sobre a maternidade, que sempre imaginou para si, avalia que não seria justo. "Acredito mesmo que as pequenas coisas são, na verdade, as mais importantes", disse.
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