Quem é o piloto esfaqueado em voo para Israel e elogiado por ato heroico
O piloto esfaqueado em um voo que partiu de Dubai com destino a Israel na quarta-feira (30/09) foi identificado como o capitão indiano Smit Machchhar. Ele foi atacado por outro piloto a bordo de uma aeronave da Flydubai que seguia para Tel Aviv, o que obrigou o avião a desviar para a Arábia Saudita.
Machchhar foi levado para um hospital em Tabuk, no noroeste da Arábia Saudita, onde permanece em condição estável, segundo a embaixada indiana em Riad. Ele foi aclamado como um "verdadeiro herói" pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que afirmou em publicação no X que o capitão "salvou a vida de 174 pessoas" e evitou "uma catastrófica tragédia aérea em pleno voo".
Segundo informações de jornais indianos, o piloto, mesmo gravemente ferido, teria lutado com o agressor e conseguido abrir a porta da cabine, permitindo que membros da tripulação intercedessem. Nesta quinta-feira (1/10), Netanyahu disse que ainda é cedo demais para se dizer por que um piloto esfaqueou outro e tentou assumir o controle do avião — e se o Irã teve algum envolvimento no episódio.
Quem é o capitão Machchhar
Machchhar cresceu em Mumbai, na Índia, onde seus pais ainda moram. Ele ingressou na SpiceJet, companhia aérea indiana, em 2011, antes de se mudar para Dubai, e já era um piloto experiente quando se juntou à Flydubai em 2022. Segundo seu perfil no LinkedIn, possui mais de 9.750 horas de experiência de voo, incluindo mais de 6.400 horas como piloto em comando. Seu antigo empregador, a SpiceJet, emitiu um comunicado chamando-o de "herói" que salvou "inúmeras vidas".
No ano passado, o capitão falou sobre sua trajetória em um podcast chamado Bona-Fide Banter. Contou que a aviação "nunca foi um sonho de infância": aos 19 anos, ingressou em um curso de gestão, planejando trabalhar nos negócios da família, mas se deparou com um seminário de aviação e "se apaixonou". Ele também relatou desafios enfrentados no ar, incluindo uma situação em que uma passageira entrou em trabalho de parto prematuro e a tripulação trabalhou em conjunto para garantir que o bebê nascesse em segurança. Desde que sua identidade foi revelada, as redes sociais indianas têm sido inundadas de elogios, com internautas o chamando de herói.
O que aconteceu no voo
O voo FZ1073 da Flydubai decolou do Aeroporto Internacional de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, às 7h05 no horário local, com destino ao Aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv. A aeronave transportava pelo menos 150 pessoas, e Netanyahu afirmou que "quase todos" os passageiros eram israelenses. Dados do site de rastreamento de voos Flightradar24 mostram que o avião fez uma descida rápida sobre a Arábia Saudita cerca de duas horas e meia após a decolagem, caindo mais de 5 mil metros em menos de dois minutos. Minutos depois, sinalizou um código de emergência e, em seguida, o código que indica sequestro.
Após o incidente, Netanyahu confirmou relatos de que um dos pilotos havia esfaqueado o outro antes de "aparentemente tentar derrubar" o avião. Ele disse que um passageiro israelense lhe contou que "o avião entrou em parafuso e começou a descer" antes que o passageiro e um membro da tripulação invadissem a cabine de comando e dominassem o "piloto que havia esfaqueado". A aeronave foi desviada para o Aeroporto de Tabuk e pousou às 9h58, de acordo com dados de localização.
O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, disse que Machchhar "demonstrou imensa coragem e uma determinação inabalável em proteger a vida dos outros", apesar de estar gravemente ferido. "Sua bravura ajudou a salvar centenas de vidas e evitar uma grande tragédia", escreveu ele no X. O ministro das Relações Exteriores da Índia, S Jaishankar, elogiou a "extraordinária coragem e a notável presença de espírito do piloto, mesmo diante de grave perigo". Em declarações à imprensa na Casa Branca, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que "o piloto estava em péssimo estado", mas teve a sensatez de abrir a porta da cabine durante o ataque.
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