Quem é o homem mais rico da África — e por que ele quer vender parte de seu império
O empresário nigeriano Aliko Dangote, apontado como o homem mais rico da África, lançou a maior oferta pública inicial de ações da história do continente ao listar sua empresa de refinaria de petróleo na bolsa de valores da Nigéria. A operação foi batizada por ele de "IPO do Povo" e é apresentada como uma oportunidade para que os cidadãos possuam parte de um negócio que muitos nigerianos já tratam como patrimônio nacional.
Segundo a agência de notícias Reuters, caso todas as 4,1 bilhões de ações disponíveis sejam vendidas, a empresa arrecadará 2,15 trilhões de nairas nigerianas — o equivalente a US$ 1,6 bilhão — para ajudar na expansão da refinaria, que já tem capacidade para processar cerca de 700 mil barris de petróleo bruto por dia. No primeiro dia da venda de ações, aplicativos de investimento tiveram dificuldades técnicas para lidar com a alta demanda. A compra mínima é de 5.525 nairas, valor equivalente a R$ 20.
Aos 69 anos, Dangote é a pessoa mais rica da África, com fortuna superior a US$ 51,5 bilhões, segundo dados da revista Forbes de 20 de setembro. Ele domina há décadas os mercados de cimento, açúcar, sal e fertilizantes da Nigéria. Em 2024, seu império representava um terço do valor de todas as empresas listadas na bolsa nigeriana. Formado em administração de empresas, iniciou seu próprio negócio de comércio de commodities com um empréstimo de 500 mil nairas, quitado em menos de seis meses. Hoje, seu portfólio inclui a Dangote Cement, maior produtora de cimento da África, e a refinaria de petróleo Dangote, que iniciou a produção em 2024 e fornece mais de 70% do consumo de energia da Nigéria.
A estratégia do bilionário tem se concentrado na substituição de importações, com empresas que produzem localmente bens que o país tradicionalmente compra do exterior. Críticos desse modelo argumentam que controles sobre a concorrência podem causar aumento de preços e impulsionar a inflação. Em 2024, a organização beneficente Oxfam relatou que Dangote "detém um 'quase monopólio'" no setor de cimento na Nigéria, e a expansão de seu império para o petróleo levantou preocupações sobre um novo monopólio privado. Dangote nega as acusações e afirma que a expansão da refinaria impulsionará a independência econômica da região, ajudando nações do continente a se tornarem autossuficientes em energia.
Analistas alertam que os preços das ações podem cair ou subir. "Eles deveriam investir apenas um dinheiro de que não precisarão pelos próximos três, quatro ou cinco anos", disse à BBC o consultor financeiro Abdulrazak Ibrahim Fagge. O jornalista Lekan Sote, colunista do jornal nigeriano The Punch, avalia que as afirmações de que a expansão trará independência econômica a partes da África são "provavelmente exageradas", embora reconheça que a refinaria poderá baixar preços na região devido à economia de escala. Dangote afirma que deseja dar aos nigerianos comuns a oportunidade de participar do sucesso da refinaria e "democratizar a criação de riqueza".
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar