Porto Itapoá aposta em navios maiores para avançar sobre cargas de Santos e Paranaguá
O Porto Itapoá pretende usar o aprofundamento do canal da Baía da Babitonga para ampliar sua participação no mercado de contêineres e disputar cargas hoje movimentadas por Santos (SP) e Paranaguá (PR). A estratégia depende de levar o canal de acesso de 14 para 16 metros de profundidade, criando condições para receber navios de até 366 metros de comprimento.
A dragagem de aprofundamento tem custo de R$ 333 milhões. Segundo o Porto de São Francisco do Sul, responsável pela execução da obra, R$ 300 milhões são financiados pelo Porto Itapoá e R$ 33 milhões serão aportados pela autoridade portuária pública. O terminal privado deverá ser ressarcido até 2037 com parte da receita tarifária adicional gerada pelo aumento do número de atracações e da movimentação de cargas após a conclusão da obra.
Até o final de agosto, a dragagem havia alcançado 88% de execução, segundo o Porto de São Francisco do Sul. A draga Galileo Galilei já retirou 10,6 milhões de metros cúbicos de sedimentos, de um total previsto de 12 milhões. A conclusão está prevista para o segundo semestre de 2026, com a retirada dos 12% restantes nas próximas três semanas. Depois de concluída e aferida, a obra poderá permitir ao complexo da Babitonga receber embarcações de até 366 metros, com capacidade de até 16 mil TEUs por navio.
O Porto Itapoá, que adota referência mais conservadora, informou que o novo calado deve permitir atender navios de até 14 mil TEUs. O CEO do terminal, Ricardo Arten, afirmou que o ganho efetivo de capacidade por escala dependerá da configuração de cada embarcação, do serviço marítimo e das condições comerciais e operacionais de cada operação. O porto não apresentou estimativa de quantas escalas adicionais ou de quantos contêineres poderá movimentar por ano após a dragagem.
Para preparar a estrutura em terra, o terminal afirma estar investindo aproximadamente R$ 500 milhões em uma nova fase de expansão, que acrescentará 120 mil m² ao pátio, elevando a área de cerca de 455 mil para 575 mil m². O pacote inclui a instalação do oitavo portêiner, novos guindastes e equipamentos de movimentação, ampliação da estrutura para contêineres refrigerados, automação e um novo gate exclusivo para caminhões, o que deve elevar os 2 mil acessos de veículos por dia para 3 mil.
A Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) avalia que o novo calado pode reduzir restrições de carga e custo por contêiner, mas ressalta que o benefício só chegará à indústria se houver escalas efetivas de navios maiores, concorrência entre armadores, rotas diretas e acesso terrestre capaz de receber o fluxo adicional. Para Maurício Battistella, presidente do Conselho para Assuntos de Transportes e Logística da Fiesc, o indicador relevante é o custo logístico porta a porta, e não apenas a tarifa de canal. Ele considera mais preciso falar em ganhar participação em segmentos e rotas específicas do que em superar Santos em volume total.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
Continue neste assunto
Comentários nesta matéria
Comentário público sobre este texto. Após envio, a redação analisa antes de publicar. Para proposta de pauta ou assuntos privados, use mensagem à redação na sua conta.
Ainda não há comentários publicados nesta matéria.
Sua avaliação desta matéria
Clique nas estrelas para avaliar — pediremos que entre com seu e-mail.
Entre com seu e-mail para comentar nesta matéria (enviamos um link rápido, sem cadastro longo).
Entrar para comentar