Quem é Miguel Vázquez, o “Vorcaro paraguaio”, fundador do Ueno Bank
Miguel Vázquez, de 36 anos, é o fundador do Ueno Bank e comandou a expansão dos negócios financeiros de sua família até a quebra da instituição, que resultou em sua prisão preventiva. Nas redes sociais brasileiras, passou a ser chamado de “Vorcaro paraguaio”, em referência a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
A trajetória empresarial começou antes da criação do banco. Vázquez pertence à terceira geração de uma família que ergueu um conglomerado a partir do comércio e das finanças no Paraguai. Seu avô materno, Miguel Jacobo Villasanti, abriu uma oficina mecânica em Assunção em 1945, negócio que depois deu origem à Cóndor, representante da Mercedes-Benz no país. Já seu pai, Víctor Hugo Vázquez, fundou em 1984 a Credicentro, voltada à concessão de crédito a consumidores com dificuldade de acesso aos bancos tradicionais. Miguel começou a ajudar o pai na financeira ainda na adolescência e, mais tarde, assumiu funções de direção.
Foi a partir da Credicentro que os negócios da família ganharam nova escala sob a marca Ueno. Em 2023, o empreendimento se tornou banco após autorização do Banco Central do Paraguai e, no ano seguinte, incorporou o tradicional Visión Banco. A instituição passou a apostar em serviços digitais, cartões e benefícios comerciais, conquistando milhões de clientes e administrando cerca de US$ 2,8 bilhões em depósitos. A expansão levou a marca ao futebol, com o patrocínio da seleção paraguaia.
Vázquez cultivava a imagem de empresário competitivo, adepto do triatlo, de provas de Ironman e do automobilismo. Em entrevista em 2024, definiu-se como um herdeiro que construiu sua trajetória sobre o trabalho das duas gerações anteriores. Dizia ter feito cursos executivos em finanças, administração e transformação digital no INCAE Business School, na Universidade de Miami e em programas ligados a Harvard, mas afirmou que não concluiu uma graduação. Sua ambição era criar o primeiro negócio paraguaio avaliado em mais de US$ 1 bilhão e levar uma empresa do país à Bolsa de Valores de Nova York. No início deste ano, o banco chegou a ser avaliado em quase US$ 500 milhões. Em abril, ele detinha 75,94% do capital do Grupo Vázquez e 94,02% dos direitos de voto, segundo informações societárias do conglomerado, que reunia 28 empresas nas áreas financeira, tecnológica, agropecuária, de seguros, turismo e comércio eletrônico.
Após a quebra do banco, autoridades apreenderam um iate da fabricante italiana Azimut Yachts em um condomínio na região de Itapúa, duas aeronaves e nove veículos, incluindo carros de luxo encontrados em uma residência do empresário em Assunção. A Justiça determinou ainda o bloqueio de bens e contas de outras dez empresas ligadas ao Grupo Vázquez, ampliando restrições anteriores a sete companhias. Vázquez foi detido na terça-feira (3), e o juiz Rodrigo Estigarribia determinou sua prisão preventiva dois dias depois, junto com a de outros antigos e atuais membros da administração do banco.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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