Quem é Abdul El-Sayed, primeiro muçulmano eleito senador nos EUA
O democrata Abdul El-Sayed venceu a eleição para o Senado dos Estados Unidos em Michigan, derrotando o republicano Mike Rogers. Com o resultado, ele se tornou o primeiro muçulmano eleito para a Casa. A vitória foi projetada pela Associated Press na madrugada desta quarta-feira (4/11), após a votação realizada na terça-feira.
Nascido em 1984, no subúrbio de Rochester Hills, em Detroit, El-Sayed é filho de imigrantes egípcios e foi criado pelo pai e pela madrasta, Jacqueline Johnson, depois que seus pais se divorciaram quando ele tinha três anos. Médico formado pela Universidade de Michigan e pela Universidade Columbia, especializou-se em epidemiologia. Em 2015, sua nomeação para o cargo de diretor-executivo do Departamento de Saúde de Detroit ganhou destaque nacional. Três anos depois, concorreu ao governo de Michigan e terminou em segundo lugar nas primárias democratas, perdendo por mais de 20 pontos percentuais para Gretchen Whitmer, que posteriormente foi eleita e conquistou dois mandatos como governadora.
El-Sayed, que nunca ocupou um cargo eletivo, fez campanha com uma plataforma de esquerda. As críticas à ajuda militar dos Estados Unidos a Israel ocupavam lugar de destaque, ao lado de propostas como a taxação de bilionários para financiar um sistema de saúde universal. Ele classificou como genocídio a operação militar de Israel na Faixa de Gaza após os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, acusação que Israel rejeita. Também afirmou que o país pratica apartheid na Cisjordânia ocupada. Sua oposição à ajuda militar americana vai além de Israel: disse que não acha que o país deva financiar forças militares estrangeiras em geral, incluindo Egito, Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos.
Durante a campanha, o presidente Donald Trump fez ataques verbais frequentes contra El-Sayed e o acusou, por ser filho de imigrantes egípcios, de estar "do lado dos terroristas". O vice-presidente J.D. Vance disse em um comício de campanha de Rogers, em 15 de outubro, que os eleitores mereciam "coisa melhor do que um pequeno covarde". Rogers, embora tenha se distanciado dos comentários de Trump, acusou a campanha de El-Sayed de receber apoio financeiro de doadores ligados a organizações radicais e extremistas. Republicanos também acusaram o democrata de ter ligações com a Irmandade Muçulmana, o que ele nega.
A disputa também foi marcada por tensão interna no Partido Democrata. Haley Stevens, derrotada por uma pequena margem por El-Sayed na disputa pela indicação do partido, declarou apoio a Rogers poucos dias antes da eleição. El-Sayed reagiu dizendo que estava concentrado nos eleitores de Michigan. Ele contou com o apoio de nomes da ala progressista, como o senador Bernie Sanders e a deputada Alexandria Ocasio-Cortez, e também de democratas moderados, incluindo o ex-presidente Barack Obama. Durante a campanha, afirmou que sua lealdade está com a Constituição dos Estados Unidos e pediu aos eleitores que avaliassem suas propostas, e não sua origem ou religião. "Embora eu possa rezar de uma maneira um pouco diferente da maioria dos americanos, rezamos pelas mesmas coisas", disse.
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