Intervenção nos juros preocupa o mercado
A proposta de tabelamento dos juros apresentada ao presidente reeleito pelo economista André Lara Resende provocou reação negativa no mercado. Um dos autores e executores do Plano Real, Lara Resende agora defende uma medida que, segundo a avaliação de analistas, contraria o próprio legado da reforma monetária que ajudou a implantar.
Na época do Real, a taxa de juros alta foi usada como remédio amargo para conter a especulação contra a moeda nascente. Com a estabilização, a âncora foi retirada e os juros caíram como consequência do controle da inflação. Hoje, com a inflação fora da meta, o Copom aponta a expansão dos gastos públicos como componente determinante da pressão inflacionária. A avaliação quase consensual é de que é necessário um ajuste fiscal, observação que não parte apenas da oposição.
Do ponto de vista governamental, a proposta traria uma aparente vantagem política: conter os juros altos sem cortar gastos. Aliados e integrantes do governo, porém, já declararam que não haverá ajuste fiscal. Nem a área econômica endossou a proposição. Diante da reação negativa do mercado, emissários do presidente informaram que o tabelamento dos juros não está em cogitação para o próximo mandato.
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