Quatro bombas que Lula deixou e que ameaçam o futuro da economia
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assume o Palácio do Planalto em 5 de janeiro, pela quarta vez, com uma economia sob pressão: dívida pública em trajetória de alta, juros elevados e poder de compra das famílias enfraquecido. Para analistas ouvidos pela Gazeta do Povo, o modelo que ancorou o crescimento no estímulo constante à demanda, sem ganhos de produtividade, esbarrou nos próprios limites. Sem correção de rumo, o cenário mais provável é de crise de crédito e estagnação prolongada.
Segundo o head de alocação da XP Investimentos, Rodrigo Sgavioli, o país vive a dinâmica de um pé no acelerador e outro no freio: a expansão dos gastos públicos estimula a demanda, mas pressiona a inflação e obriga o Banco Central a manter os juros altos. Os especialistas apontam quatro desequilíbrios centrais — o forte aumento da dívida pública, os juros em níveis elevados, a explosão do endividamento privado e o avanço da insegurança jurídica. O endividamento público deve chegar a entre 85% e 91,5% do PIB, conforme o cenário e o horizonte das projeções, e mais de 90% dos gastos são obrigatórios, o que limita a capacidade de reequilibrar as contas.
Um eventual sucesso do próximo mandato dependerá, segundo os analistas, da disposição de Lula de implementar um ajuste estrutural focado na contenção das despesas obrigatórias, na restauração da segurança jurídica e na aprovação de reformas que destravem o crescimento potencial. O presidente reeleito, entretanto, não sinalizou disposição em adotar medidas desse tipo ao longo da campanha eleitoral.
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