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Qual o futuro do bolsonarismo após Flávio Bolsonaro ir para os EUA?

Por Ivan Marra
Atualizado em 29/10/2026 às 15:50 schedule 4 min de leitura visibility 7 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil rumo aos Estados Unidos, após ser derrotado na eleição presidencial por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deixou em aberto o futuro do bolsonarismo. Cientistas políticos ouvidos pela BBC News Brasil se dividem sobre se o movimento continuará forte ou se abrirá espaço para uma direita moderada.

Na quarta-feira (28/10), Flávio publicou em sua conta na rede social X um pronunciamento em que se autodeclarava "o verdadeiro presidente do Brasil" e afirmava ter havido "fraude eleitoral", sem apresentar provas. Em seguida, apagou a mensagem e divulgou outra, quase idêntica, reafirmando a suposta fraude, mas se declarando "o líder do Brasil". Disse ainda que vai liderar a oposição a Lula a partir dos Estados Unidos. O resultado da eleição foi reconhecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), presidido pelo ministro Kassio Nunes Marques, e pelos principais partidos brasileiros, incluindo o PL.

Para o cientista político Marco Antonio Carvalho Teixeira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a atuação dos irmãos nos Estados Unidos não terá apoio da maioria da sociedade. Ele lembra que o tarifaço adotado pela Casa Branca contra o Brasil para tentar impedir a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro, após articulação de Eduardo Bolsonaro, foi mal visto pela população. "É muito claro que Flávio vai pra lá tentar fazer uma articulação de fora pra dentro. Agora, quanto a classe política brasileira, inclusive o próprio PL, vai dar ressonância?", questiona. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não quis comentar a autodeclaração de Flávio ao ser questionado por jornalistas. Já o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse entender a "revolta" do senador, mas afirmou não apoiar sua contestação do resultado eleitoral.

A cientista política Daniela Costanzo, pesquisadora do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), avalia que o bolsonarismo se organiza como um "partido digital", com coordenação nas redes que vai além da estrutura tradicional de uma legenda, o que garante base sólida ao movimento. "A derrota presidencial é uma derrota importante, mas o bolsonarismo vai continuar forte porque ele tem hoje um partido que o organiza", afirma. Na avaliação dela, a liderança de Flávio ficará enfraquecida e outras figuras devem ganhar espaço, como Tarcísio de Freitas, Sergio Moro (PL), eleito governador do Paraná, Cleitinho Azevedo (Republicanos), governador eleito de Minas Gerais, e o deputado reeleito Nikolas Ferreira (PL-MG). No clã, ela vê Michelle Bolsonaro com mais potencial, por ter vida própria e não depender do restante da família.

Teixeira, da FGV, aponta dificuldades para Michelle, Carlos ou Jair Renan assumirem a liderança do movimento e aposta em nomes de fora do clã. Ele ressalta que Michelle sempre teve conflitos com os filhos do ex-presidente, que Carlos tem perfil de bastidor e que Renan é "infantil" e "sem qualquer projeção política". "Vai haver uma lacuna. Então, talvez essa seja uma oportunidade também de os partidos que se dizem mais à direita diminuírem a sua dependência da família e buscarem outras lideranças", diz. Flávio deixou o país após o ministro do STF Alexandre de Moraes determinar a apreensão de seu passaporte, atendendo a pedido da Polícia Federal em inquérito que apura suposta lavagem de dinheiro do senador em parceria com o advogado e empresário Willer Tomaz. O senador nega as acusações e diz sofrer "perseguição política".

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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