PF investiga Paulo Guedes por suspeita de crime contra o sistema financeiro
O ex-ministro da Economia Paulo Guedes é alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional (SFN). O caso envolve sua participação em uma empresa de criptomoedas acusada de dificultar o resgate de valores de investidores.
Segundo apuração do site Metrópoles, confirmada pela Gazeta do Povo com fontes a par das diligências, Guedes teria atuado junto ao empresário Fábio Lino de Almeida, proprietário da OnilX, para atrair centenas de investidores com a promessa de rendimentos de até 2,8% ao mês. O ex-ministro teria prestado consultoria ao empresário, participado de reuniões estratégicas e recebido potenciais investidores.
A apuração também indica que a imagem de Guedes foi usada em materiais de divulgação da companhia, que o apresentava como um dos apoiadores do negócio. Em publicação da própria OnilX, ele aparece ao lado de Fábio Lino e de executivos da operadora de cartões Visa em uma reunião classificada pela empresa como de “alta relevância estratégica”. O ex-ministro ainda deu palestras a investidores e assessores da companhia, ocasião em que elogiou o empreendimento diante de uma plateia de aproximadamente 500 pessoas e destacou sua importância para o desenvolvimento do mercado digital.
A OnilX passou a enfrentar restrições da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que determinou em janeiro a suspensão de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários pelo grupo. Em abril, a autarquia manteve a decisão, mas esclareceu que a restrição não abrangia a simples intermediação de criptomoedas como Bitcoin, Ethereum e USDT, desde que não houvesse promessa de rendimento ou contrato de investimento.
De acordo com a investigação, centenas de investidores podem ter sido lesados por conta das recomendações atribuídas a Guedes, com prejuízo milionário concentrado principalmente na região Sul do país. A apuração identificou 108 ações judiciais contra o grupo entre 12 de junho e 10 de setembro. Um casal que cobra R$ 876,5 mil da empresa afirmou ter ampliado os aportes após participar de uma reunião com o ex-ministro na sede da companhia, em abril, sem conseguir recuperar os valores quando pediu o resgate quatro meses depois. Em outra ação, uma assessora da OnilX teria usado o nome de Guedes para atrair um investidor, afirmando que ele “tá dentro da empresa”. Nos autos, a OnilX nega as acusações e afirma atuar regularmente no mercado de ativos virtuais. O inquérito tramita na 9ª Vara Federal de Curitiba.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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