Proteção da biodivesidade no mundo demanda mais US$1,3 trilhão por ano
O enfrentamento à crise da biodiversidade, que ameaça diversas formas de vida no planeta, inclusive a humana, exigirá dos países um esforço financeiro adicional de US$ 1,317 trilhão por ano, além do que já é investido atualmente. O dado consta do relatório Financing Nature 2026: uma atualização de meio de década – do progresso isolado à implementação em escala, produzido pelas organizações The Nature Conservancy (TNC), World Wildlife Fund (WWF) e Paulson Institute.
As entidades acompanham a evolução dos investimentos globais na proteção da natureza desde 2020, quando foi publicado o primeiro relatório. A comparação entre os recursos aplicados e a necessidade de financiamento para proteger a fauna e a flora mostra que o déficit quase dobrou em seis anos: passou de US$ 711 bilhões para os atuais US$ 1,317 trilhão.
Na avaliação de Carter Roberts, presidente da WWF nos Estados Unidos, não faltam mecanismos para financiar a natureza. Ele cita como exemplos o mercado de carbono e os Acordos de Financiamento de Projetos para Permanência (PFP, na sigla em inglês), que impulsionam a criação de áreas de conservação por meio de um fundo de transição. “Este relatório comprova que essas estratégias funcionam, mas também deixa claro que precisamos implementá-las no ritmo e na escala exigidos pela perda da natureza”, afirma.
O estudo também aponta políticas prejudiciais adotadas por muitos países, que colocam em risco a natureza e as economias. Segundo o relatório, para cada dólar investido na proteção da natureza, 30 são destinados à sua destruição. “Hoje, em um único mês, os governos gastam mais com subsídios prejudiciais à natureza do que investem em sua proteção ao longo de um ano inteiro”, afirma Henry M. Paulson Jr., presidente do Paulson Institute. Para ele, a reforma desses subsídios liberaria grande parte dos recursos necessários. “Quando governos acertam os incentivos, o capital tende a acompanhá-los.”
Com base nos números analisados ao longo dos seis anos, os pesquisadores elaboraram um roteiro de ação. Entre as orientações, o relatório destaca a necessidade de reformar os subsídios prejudiciais; ampliar iniciativas bem-sucedidas, como estratégias, operações cotidianas, concessões de crédito e investimentos; e enxergar a natureza como um ativo essencial à economia, e não como um recurso gratuito. O documento também indica que governos e órgãos reguladores criem condições políticas e de mercado para ampliar o financiamento, que os Bancos Multilaterais de Desenvolvimento e as Instituições Financeiras de Desenvolvimento usem seus balanços e instrumentos para mobilizar investimentos e que a convergência das crises climática e da biodiversidade oriente os planos de governos, empresas e investidores. “Não estamos começando do zero. Partimos de uma década de evidências sobre o que funciona e este relatório é um chamado para avançarmos a partir delas”, conclui Jennifer Morris, CEO da The Nature Conservancy.
Esta matéria foi publicada primeiro em Meio ambiente · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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