'Presenciei quase 500 execuções de presos – e nunca vi uma como a de Christa Pike'
O repórter Michael Graczyk acompanhou quase 500 execuções de presos no Texas ao longo de sua carreira e continuou cobrindo o tema mesmo depois de se aposentar da Associated Press (AP), em 2018. Ele recorda de dois casos em que as agulhas saíram e precisaram ser reinseridas para concluir o procedimento, mas nunca havia presenciado uma execução em que o condenado sobrevivesse — situação ocorrida nesta semana no Tennessee com Christa Pike, de 50 anos.
Segundo Graczyk, Pike continuou respirando e roncando alto após receber duas doses de pentobarbital, o barbitúrico usado no protocolo de injeção letal do estado. O jornalista, de 76 anos, afirmou à BBC News que não ficou totalmente surpreso e que já havia considerado essa possibilidade durante décadas de trabalho. "Para mim, era só uma questão de tempo", disse.
De acordo com a Associated Press, o protocolo do Tennessee prevê um segundo conjunto de seringas com pentobarbital caso a pessoa não morra com o primeiro, mas não define o que fazer se o preso continuar vivo depois disso. O governador Bill Lee suspendeu as execuções no estado após a falha na noite de quarta-feira (30/9) e determinou uma revisão independente dos procedimentos. No sábado (3/10), o chefe do sistema prisional do Tennessee foi retirado do cargo. Pike está em um hospital, onde recebe "cuidados para salvar sua vida", segundo seu advogado.
O Death Penalty Information Center, centro de estudos que não se posiciona contra ou a favor da pena de morte, descreve uma execução malsucedida como aquela com problemas ou atrasos inesperados que causaram, ao menos possivelmente, sofrimento desnecessário ao preso, ou que refletem grave incompetência do executor. A organização reuniu uma lista de 64 execuções malsucedidas desde 1982, das quais 51 foram por injeção letal. Em pelo menos sete desses casos, as execuções foram interrompidas porque não foi possível inserir a via intravenosa.
Graczyk afirma que nunca viu uma execução falhar depois de a injeção ser aplicada. "Isso nunca aconteceu aqui", disse, referindo-se ao Texas. Segundo o Death Penalty Information Center, houve 1.683 execuções nos Estados Unidos desde 1976, quando a Suprema Corte restabeleceu a pena de morte. O Texas realizou 602 delas e, em 1982, tornou-se o primeiro estado a usar a injeção letal. A vítima de Pike foi Colleen Slemmer, de 19 anos, torturada e morta por Pike, então com 18 anos, e pelo namorado dela à época, Tadaryl Shipp. A mãe de Slemmer, May Martinez, acompanhou a tentativa de execução no Tennessee e disse à NBC News que "foi uma bagunça".
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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