Por que Nikolas Ferreira e outros bolsonaristas voltaram a explorar desinformação sobre a pandemia de covid-19 às vésperas da eleição
Nos últimos dias, vídeos que voltam a questionar a eficácia das vacinas contra a covid-19, o uso de máscaras e as medidas de distanciamento adotadas durante a crise sanitária voltaram a circular nas redes sociais, impulsionados por figuras políticas ligadas ao bolsonarismo, entre elas o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG). O conteúdo reaparece em um momento de alta temperatura eleitoral, quando a desinformação sobre o período mais crítico da pandemia é usada como ferramenta de mobilização de base e ataque a adversários.
As publicações retomam argumentos já desmentidos por órgãos de saúde e agências de checagem ao longo dos últimos anos, como a suposta ineficiência dos imunizantes e a ideia de que medidas não farmacológicas teriam sido inúteis. Especialistas ouvidos em coberturas anteriores reforçam que as vacinas foram decisivas para reduzir mortes e internações, e que o uso de máscaras, combinado ao distanciamento, ajudou a conter a transmissão do vírus em momentos de alta circulação.
A retomada desse discurso ocorre em um contexto em que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) intensifica ações de combate a fake news, inclusive com demonstrações públicas do funcionamento das urnas eletrônicas. A corte tem alertado para o risco de que conteúdos enganosos sobre o sistema eleitoral e sobre políticas públicas de saúde ganhem força nas semanas que antecedem o pleito, especialmente em grupos de mensagens e aplicativos de conversa.
Procurados, os parlamentares e perfis que compartilharam os vídeos não responderam até a publicação desta matéria. Não há informações públicas sobre a origem dos materiais ou se houve coordenação para a distribuição deles. O que se observa, no entanto, é um padrão já conhecido: a reciclagem de narrativas desmentidas em momentos estratégicos do calendário político, com o objetivo de gerar engajamento e reforçar a identidade de grupos que se opõem a políticas sanitárias adotadas durante a gestão federal anterior.
O impacto desse tipo de conteúdo, segundo pesquisadores de comunicação política, é ampliar a desconfiança em instituições científicas e no processo eleitoral. A recomendação de especialistas é que eleitores verifiquem a procedência das informações antes de compartilhar, recorrendo a fontes oficiais e veículos de imprensa que mantêm compromisso com a apuração factual.
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