Programa de Lula para motoristas de aplicativo fracassa e libera só 13% da meta
O programa Move Brasil, criado pelo governo federal em maio para oferecer R$ 30 bilhões em financiamentos a motoristas de aplicativo e taxistas, liberou apenas R$ 4 bilhões até agora, o equivalente a 13,3% do total previsto. A informação foi confirmada pelo secretário do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Uallace Moreira, em declaração ao jornal Valor Econômico. Segundo ele, em dois meses o programa levou à comercialização 40 mil veículos.
Gerenciado pelo MDIC, o programa prevê que as linhas de crédito sejam fornecidas pelo BNDES ou por instituições financeiras habilitadas, que assumem os riscos das operações. O financiamento pode cobrir até 100% do valor do automóvel, com carência de seis meses e juros limitados a 12,6% ao ano para homens e 11,5% para mulheres, menos da metade da taxa média de mercado. Apesar das condições, o programa enfrenta entraves como reprovações na análise de crédito, gargalos operacionais e baixo interesse dos bancos privados.
O programa começou a operar em 19 de junho sem o Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), mecanismo que reduz o risco dos bancos. O fundo só entrou em funcionamento em 2 de julho, o que, segundo o próprio governo, gerou insegurança entre as instituições financeiras. Além disso, o regulamento não exige produção nacional dos veículos financiados, o que tende a favorecer montadoras chinesas que importam carros prontos ou montam modelos a partir de kits trazidos do exterior.
Especialistas apontam que a participação no programa não elimina a análise de crédito, o que frustrou motoristas com restrições no CPF. Eduardo Lima de Souza, presidente da Associação de Motoristas de Aplicativo de São Paulo (Amasp), afirma que 92% da categoria tem restrições no CPF e que o programa beneficia apenas quem não depende do crédito. Ele também critica a falta de diálogo com o governo e diz que enviou sugestões ao ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, sem obter resposta.
Para tentar destravar o programa, o governo publicou no dia 18 uma portaria que amplia o valor máximo do financiamento para R$ 200 mil e inclui novos modelos híbridos entre os elegíveis. A medida, porém, não deve mudar o cenário enquanto os bancos mantiverem critérios rígidos de análise de crédito. O programa, criado por medida provisória, deve vigorar até 15 de setembro.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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