Poço Bento: um milagre vivo de São José de Anchieta
O Poço Bento, também conhecido como Poço de Anchieta, é um dos testemunhos atribuídos à passagem de São José de Anchieta pelo estado do Rio de Janeiro. Segundo o relato, o jesuíta atuou na região por volta de 1565, participando da fundação da cidade do Rio de Janeiro ao lado de Estácio de Sá e da resistência contra os franceses em 1567. Sua presença, porém, não se limitou à capital: deixou marcas em municípios vizinhos, entre eles Magé, na Baixada Fluminense.
Entre os anos de 1565 e 1573, Anchieta percorreu essas terras, em um caminho comum à época por beirar a Baía de Guanabara — rota que servia tanto para o acesso ao interior do continente quanto para seguir viagem ao Nordeste, passando pelo Espírito Santo até a Bahia. Nas proximidades do Porto Velho da Piedade, a população enfrentava uma grande seca e uma epidemia causada pela água salobra, sem água potável disponível. A comunidade vivia aflita, sob o risco de abandonar a região em busca de subsistência.
Conforme a tradição, Anchieta, confiando em Deus e rogando por aquele povo, abençoou e perfurou com o próprio cajado a terra ressequida, às margens da Estrada da Piedade. Do furo começou a jorrar água potável — que, segundo o relato, continua a correr até hoje. O local passou a ser chamado de Poço Bento ou Poço de Anchieta.
Atualmente, muitas pessoas acorrem ao poço em peregrinação, não apenas para buscar água potável, mas também em busca da água abençoada pelo santo, motivadas não só pela subsistência corporal, mas também espiritual. O Poço Bento se tornou um lugar de muitos milagres, e muitas pessoas testemunham as graças recebidas pela intercessão do santo jesuíta.
O local foi preservado ao longo do tempo. Em 1940, o proprietário daquelas terras manifestou a intenção de doar o espaço à Matriz de Nossa Senhora da Piedade. Em 5 de abril de 1964, foram construídos ao lado do poço o altar e a Cruz, abençoados em Celebração Eucarística pelo Núncio Apostólico dom Armando Lombardi, com a presença do cardeal dom Jaime Câmara, arcebispo do Rio de Janeiro, e de dom Manuel da Cunha Cintra, bispo diocesano de Petrópolis. Em 1981, o frei Francisco Battistini construiu a Igreja dedicada ao santo recém-beatificado.
Hoje, além do Poço Bento e da Capela dedicada a São José de Anchieta, o espaço conta com área de eventos coberta, cozinha e banheiros em anexo, além de um ambiente arborizado. O poço foi coberto por uma espécie de baldaquino com oito pilares — número que remete à ressurreição —, simbolizando uma fonte batismal, lugar de vida nova. O local é aberto à visitação, peregrinações e eventos como congressos e retiros.
Por ocasião do ano jubilar diocesano, o bispo de Petrópolis, Dom Joel Portela Amado, tornou o Poço Bento um Santuário Diocesano por decreto no dia 23 de agosto deste ano, impulsionando a devoção e a peregrinação dos fiéis. Como Santuário Diocesano, o local recebeu o reconhecimento oficial de lugar sagrado, casa de Deus e de oração, destino de peregrinação e renovação espiritual, e de promoção à devoção a São José de Anchieta, o apóstolo do Brasil.
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