4 pontos para entender a crise de banco no Paraguai que derrubou Santiago Peña
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou nesta quinta-feira (5/11) em meio à crise provocada pelo colapso do Ueno Bank, que abalou o sistema financeiro do país e desencadeou uma crise política. Em vídeo publicado nas redes sociais, Peña pediu desculpas à população e afirmou que decidiu deixar o cargo pensando na estabilidade do país, na paz social e na necessidade de preservar as instituições democráticas. Com a renúncia, o presidente evitou ser alvo de um processo de impeachment.
A saída ocorre depois que o governista Partido Colorado, liderado pelo ex-presidente Horacio Cartes, anunciou apoio ao processo de impeachment. A oposição acusa Peña de conflito de interesses, uso indevido de fundos públicos e encobrimento de irregularidades relacionadas ao banco. Na quarta-feira (4/11), parlamentares opositores intensificaram as tentativas de destituí-lo, responsabilizando-o pelo colapso da instituição, que deixou milhões de clientes sem acesso às suas contas. A Câmara dos Deputados analisaria o pedido de denúncia contra o presidente.
O que aconteceu com o Ueno Bank
Na terça-feira (3/11), o Banco Central do Paraguai (BCP) anunciou o início do processo de dissolução do Ueno Bank, após constatar que seu índice de solvência havia caído para menos da metade do mínimo exigido. Poucas semanas antes da intervenção, a instituição ainda era apresentada como um dos grandes casos de sucesso do sistema financeiro paraguaio. Em setembro, o banco afirmava ter mais de 3 milhões de clientes em um país de 6,5 milhões de habitantes, além de processar mais de 3 milhões de transações por dia.
Tanto Peña quanto o presidente do Banco Central, Carlos Carvallo Spalding, passaram a ser questionados por vínculos antigos com o banco e seu grupo empresarial. Segundo o pesquisador Orkun Saka, da City St George's, da Universidade de Londres, o Banco Central já havia alertado, meses antes do colapso, para empréstimos excessivos concedidos pelo banco a empresas ligadas a seus próprios controladores. Para ele, o caso não se resume à má gestão de uma instituição: é um sistema em que banco, órgão regulador e Presidência estavam tão estreitamente ligados que nenhum parecia capaz de impor limites aos outros.
O caso do Ueno Bank vem sendo comparado, no Brasil, ao do Banco Master, liquidado pelo Banco Central brasileiro em novembro de 2025. Nos dois episódios, bancos que cresceram rapidamente atraíram grandes volumes de recursos e acabaram no centro de questionamentos sobre operações financeiras, investimentos de fundos de previdência e relações com o poder público. No Paraguai, o Ueno administrava cerca de US$ 850 milhões em recursos públicos, entre eles fundos do Instituto de Previdência Social (IPS), responsável pelo pagamento de aposentadorias, pensões e outros benefícios.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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