Presidente do Paraguai renuncia em meio à crise de um dos maiores bancos do país, que congelou dinheiro de milhões; siga
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5/11) sua renúncia ao cargo em meio à crise de solvência do banco digital Ueno, que levou ao congelamento de recursos públicos e das economias de milhões de cidadãos. A decisão foi comunicada enquanto a Câmara dos Deputados aprovava por unanimidade a abertura de um processo de impeachment contra ele.
O Senado se reúne para decidir se aceita a renúncia ou se dá prosseguimento ao julgamento político. Senadores do Partido Colorado, legenda de Peña, defendem a aceitação imediata para acelerar a sucessão presidencial e permitir que o governo enfrente a crise. A oposição, porém, insiste na continuidade do impeachment, argumentando que a renúncia concederia foro privilegiado ao presidente.
O Ueno Bank é um dos principais bancos do país e, segundo dados da própria instituição, tem 60% da população adulta paraguaia entre seus clientes. O caso gerou protestos nas ruas e derrubou também o presidente do Banco Central. Cerca de 27 pessoas foram acusadas formalmente, entre elas o ex-diretor do banco Miguel Vázquez, que teve prisão preventiva decretada junto a outros cinco ex-diretores.
Para o professor e pesquisador de economia financeira Orkun Saka, da City St George's, University of London, o caso vai além da má gestão de uma instituição. Ele afirma que o Banco Central já havia alertado, meses antes do colapso, para empréstimos excessivos concedidos pelo banco a empresas ligadas aos próprios controladores. "É um sistema em que o banco, o órgão regulador e a Presidência estavam tão estreitamente ligados que nenhum deles parecia capaz de impor limites aos outros", disse à BBC Mundo.
A crise põe em xeque a imagem do Paraguai como uma das economias mais estáveis da América Latina. Peña foi acionista do grupo proprietário do Ueno Bank até o ano passado, e setores da oposição interpretam o episódio como uma disputa entre bancos pelos recursos destinados às aposentadorias. Poupadores, investidores e aposentados aguardam definição sobre o futuro de seus depósitos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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