Piloto indiano descreve ataque a facadas em voo para Israel: 'Não ia deixar que os outros morressem'
O comandante Smit Machchhar, piloto da Flydubai que foi esfaqueado pelo copiloto durante um voo de Dubai para Tel Aviv, afirmou que estava decidido a impedir que outras pessoas morressem. Ele relatou que estava caído no chão, ferido e ainda sendo agredido, quando percebeu que a aeronave perdia altitude rapidamente e entendeu que precisava agir.
"Eu estava caído no chão, ferido, mas disse a mim mesmo que faria um último esforço para abrir a porta por dentro", contou ele em uma chamada de vídeo com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi. "Outras pessoas entraram e também ajudaram. É claro que eu estava lutando pela minha própria vida, mas, ao mesmo tempo, sabia que não deixaria os outros morrerem", acrescentou.
O voo FZ1073 decolou do Aeroporto Internacional de Dubai com destino ao Aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv, e transportava pelo menos 150 pessoas. Segundo o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, "quase todos" os passageiros eram israelenses. Dados do site de rastreamento Flightradar24 mostram que o avião fez uma descida rápida sobre a Arábia Saudita cerca de duas horas e meia após a decolagem, caindo mais de 5 mil metros em menos de dois minutos. A aeronave chegou a sinalizar o código de emergência squawk 7700 e, depois, o código squawk 7500, que indica sequestro, antes de ser desviada para Tabuk, no noroeste da Arábia Saudita, onde pousou em segurança.
Machchhar, que pilota aviões há 17 anos e disse conseguir perceber o que acontece com a aeronave "mesmo de olhos fechados", foi levado ao hospital e depois transferido por via aérea para Abu Dhabi, onde seu estado de saúde é considerado estável. A embaixada da Índia nos Emirados Árabes Unidos informou que ele estava "bem de saúde e se recuperando satisfatoriamente". O embaixador Deepak Mittal declarou estar "orgulhoso do comandante Smit por sua bravura".
Modi afirmou que o piloto "demonstrou imensa coragem e uma determinação inabalável em proteger a vida dos outros" e que sua bravura ajudou a salvar centenas de vidas. O ministro das Relações Exteriores da Índia, S Jaishankar, elogiou a "extraordinária coragem e a notável presença de espírito do piloto, mesmo diante de grave perigo". Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump disse que o piloto estava em péssimo estado, mas teve a sensatez de abrir a porta da cabine durante o ataque. "Incrível, de certa forma ele foi um herói, por abrir a porta", afirmou.
Machchhar disse que não encara o ferimento apenas como um ferimento, pois isso tornaria sua recuperação ainda mais difícil. "Vejo isso como uma jornada que está acontecendo aos poucos e levará tempo, mas estou confiante de que a recuperação virá e de que voltarei a ficar em forma e saudável", declarou.
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