Para não vender vacas, produtora rural cria queijaria premiada que emprega toda a família
Em agosto de 2023, a produtora rural Rosane Borosky e o marido, Genilson, enfrentavam dificuldades para manter as contas da propriedade da família em Marechal Cândido Rondon, no Oeste do Paraná. O casal tinha 48 vacas que produziam cerca de 1,3 mil litros de leite por dia, mas o aumento dos custos da atividade fazia com que a renda já não cobrisse as despesas.
Sem querer abrir mão do rebanho, Rosane recorreu a uma oração. Segundo ela conta, pediu ajuda e ouviu uma resposta: fazer queijo. Separou quatro litros de leite e produziu a primeira peça, batizada de “Queijo da Motta”, em homenagem à avó. O produto foi entregue a uma conhecida para avaliação e, com a aprovação inicial, passou a ser oferecido a familiares e amigos.
Neta e filha de agricultores, Rosane vive na propriedade desde que nasceu. O interesse em manter as atividades da família surgiu quando buscava maneiras de lidar com o luto pela perda de um filho. A convite da irmã, participou de um treinamento para pecuaristas em Castro, nos Campos Gerais, e voltou decidida a continuar com o gado de leite dos pais. O marido trabalhava fora e passou a dividir com ela a responsabilidade pelo rebanho, mas um problema na formulação da alimentação das vacas comprometeu os animais, e a família precisou vender parte deles.
Sem recursos para construir uma agroindústria do zero, a família aproveitou uma construção que já existia na propriedade. Rosane buscou capacitação em um curso de derivados de leite pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e em um projeto de queijos finos em Toledo (PR). As primeiras vendas foram feitas entre amigos, familiares e consumidores em eventos locais. No início de 2024, após ser impedida de participar de uma feira de produtores por não ter produtos classificados como coloniais, recebeu um novo convite e passou a usar o evento como uma das principais portas de entrada para os consumidores. Em fevereiro de 2025, a agroindústria obteve o Serviço de Inspeção Municipal de Produtos de Origem Animal (SIMPOA), licença sanitária municipal para derivados de leite.
O primeiro reconhecimento veio em 2025, quando o “Queijo da Motta”, feito com leite de vacas Jersey, recebeu nota 98,45 no Prêmio Queijos do Paraná e conquistou o Super Ouro. No dia seguinte à premiação, o estoque acabou na feira. Ainda naquele ano, a família participou do Prêmio Queijo Brasil: dos cinco produtos enviados, quatro receberam medalhas — prata para o Queijo da Motta e bronze para três maturados. Rosane também foi premiada como produtora destaque do município. Na edição de 2026 da competição nacional, foram 14 produtos enviados, dos quais 11 receberam medalhas: três de ouro, quatro de prata e quatro de bronze.
Hoje, a Queijaria Meu Propósito produz entre 250 e 380 quilos de queijo por mês, conforme a demanda, e se tornou uma das principais fontes de renda da família. O negócio reúne 24 produtos, entre versões do Queijo da Motta, queijos meia-cura e maturados, além de leite, nata, manteiga e iogurte. As premiações ampliaram a procura, mas também expuseram o limite de produção. “Tem uma fila de novos pontos esperando os produtos. A gente vai ter que aumentar a quantidade de produção para atender a todos”, afirma a produtora. Um chalé está em fase final de construção em frente à agroindústria para receber consumidores e ampliar a venda. Cada integrante da família passou a ter uma função específica na atividade, do manejo das pastagens à fabricação dos queijos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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