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Papa pede que cristãos desmascare contradições do mundo moderno

Por Ivan Marra
Atualizado em 02/09/2026 às 17:10 schedule 3 min de leitura visibility 21 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Papa Leão XIV inaugura catequeses sobre Gaudium et Spes e pede que cristãos assumam fardos dos que sofrem

O Papa Leão XIV pediu nesta quarta-feira que os cristãos trabalhem para "desmascarar as contradições" do mundo contemporâneo e afirmou que os fiéis são chamados a assumir "os fardos de seus irmãos e irmãs, especialmente aqueles que são esmagados pela injustiça, discriminação e violência". O apelo foi feito durante a audiência geral na Praça de São Pedro, em 2 de setembro, ocasião em que o pontífice inaugurou uma nova série de catequeses dedicadas à constituição pastoral Gaudium et Spes, um dos documentos mais significativos do Concílio Vaticano II.

O documento, aprovado e promulgado em 7 de dezembro de 1965, destaca a natureza essencialmente pastoral da Igreja, nascida de "uma fidelidade renovada ao mistério de Cristo que, ao se encarnar, escolhe compartilhar nossa vida". Leão XIV recordou que a constituição conciliar se abre com a declaração de que a Igreja faz suas "as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem".

O pontífice acrescentou que esse compromisso chama os cristãos "a deixar para trás toda passividade e indiferença diante dos acontecimentos atuais, da história e da vida das pessoas, especialmente diante das mudanças rápidas e profundas que estamos experimentando hoje". Ele enfatizou que a proximidade com a humanidade permite uma compreensão mais profunda tanto dos acontecimentos históricos quanto da própria revelação, e que a Igreja "sempre teve o dever de examinar os sinais dos tempos e de interpretá-los à luz do Evangelho".

O Santo Padre esclareceu que essa atitude não decorre apenas de um "imperativo meramente moral" e citou a exortação apostólica Evangelii Gaudium, que lembra que "a opção pelos pobres é primariamente uma categoria teológica antes que cultural, sociológica, política ou filosófica". "A solidariedade cristã nos compromete a nos engajar com a realidade e também a desmascarar as contradições que caracterizam a vida pessoal e social no mundo contemporâneo", disse.

Entre os exemplos dessas contradições, o papa citou o progresso científico e tecnológico que oferece novas possibilidades "apenas para alguns"; a compreensão mais clara das "leis da sociedade" acompanhada de incertezas "sobre a direção a dar" a elas; o paradoxo de possuir "riqueza, recursos e poder econômico" enquanto grande parte da população mundial "ainda é atormentada pela fome e pela pobreza"; e a consciência crescente de que o futuro do planeta está em jogo, sem que haja renúncia ao "consumo egoísta" e à "ilusão de que a guerra é um meio eficaz de construir a paz". "Em um tempo marcado por mudanças profundas, dando origem a desequilíbrios preocupantes, a Igreja é chamada a servir a pessoa humana, ouvindo e acolhendo as questões mais profundas de seu coração e os anseios que nela habitam", concluiu.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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