Ex-deputado federal e esposa são condenados por ofensas contra vereador no Paraná
O ex-deputado federal Emerson Miguel Pietriv, o Boca Aberta (Republicanos), e a esposa dele, Marly de Fátima Ribeiro, a Mara Boca Aberta (PL), foram condenados pela 3ª Vara Criminal de Londrina pelo crime de desacato contra um vereador da cidade. A decisão é de setembro de 2026. O casal é candidato nas eleições deste ano: ele a deputado federal e ela a deputada estadual.
Segundo o processo, entre maio e junho de 2025, o casal ofendeu servidores públicos, vereadores e o procurador-geral da Câmara Municipal de Londrina com termos como “vagabundo”, “bandido”, “imundo”, “fedorento” e “sem vergonha”. Marly também foi acusada de chamar de “covarde” o vereador Claudinei Pereira dos Santos (PL), o Santão, ao chegar à Central de Flagrantes e interromper uma entrevista que ele concedia a jornalistas. Boca Aberta ainda teria feito postagens nas redes sociais com cerca de 24 injúrias e 13 calúnias contra o vereador e assessores, atribuindo-lhes crimes como corrupção e peculato. Em outro episódio, ele usou um trio elétrico para proferir ofensas em frente à residência do vereador, o que levou vizinhos a acionarem a polícia.
Na sentença, o juiz Juliano Nanuncio entendeu que a liberdade de expressão deve respeitar limites legais e a dignidade das pessoas. Boca Aberta foi condenado a 16 anos, 7 meses e 15 dias de detenção, em regime inicial semiaberto, além de multa. O réu tem oito condenações anteriores com trânsito em julgado. A Justiça também determinou que ele mantenha distância mínima de 500 metros das vítimas e da Câmara Municipal, remova as publicações ofensivas e não mantenha contato com os ofendidos. Ele poderá recorrer em liberdade, desde que cumpra as medidas cautelares. Marly foi condenada a seis meses de detenção, pena substituída por restrição de direitos, com limitação de fim de semana, por ser ré primária.
O ex-deputado afirmou ser vítima de perseguição política e disse que vai recorrer ao Tribunal de Justiça e ao Supremo. A defesa, representada pelo advogado Benedito Silva Júnior, classificou a condenação de desproporcional e informou que recorrerá. Em nota, a defesa afirma que a sentença somou as penas de forma material, o que teria “multiplicado artificialmente” a sanção final, em vez de reconhecer continuidade delitiva entre as condutas. A defesa também cita ações contra o vereador Santão, incluindo condenação por danos morais a Mara e uma ação penal por abuso de autoridade e lesão corporal relacionada a um episódio de contenção física contra o casal.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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